O Executivo moçambicano prevê mobilizar cerca de 27 mil milhões de meticais para a operacionalização do Plano Nacional de Mitigação dos Impactos do Fenómeno El Niño 2026/2027. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (04), na Assembleia da República, pela Primeira-Ministra, Maria Benvinda Levi, durante a Sessão de Informações do Governo.
A medida surge em resposta às projeções de seca severa que deverá afetar 76 distritos localizados nas províncias de Maputo, Gaza, Inhambane, Sofala, Manica e Tete. O plano multissectorial visa garantir a assistência alimentar, a resiliência agrícola e a segurança hídrica nas zonas vulneráveis.
Assistência Agrícola e Recursos Hídricos
Segundo a governante, a verba global destina-se a financiar intervenções de grande escala. Entre as ações programadas está a distribuição de kits de insumos agrícolas a mais de 185 mil agregados familiares, com o intuito de mitigar as perdas na produção de alimentos.
Adicionalmente, estão contempladas obras de emergência e manutenção em infra-estruturas hídricas, uma intervenção projetada para beneficiar diretamente mais de um milhão de pessoas nas regiões afetadas pela escassez de água.
Recuperação Económica e Infra-estruturas
Durante a sua intervenção, Maria Levi apresentou também os indicadores de desempenho da economia nacional. Os dados indicam um crescimento de 1,74% no segundo trimestre de 2026, numa trajetória de recuperação após a contração de 2,9% registada em 2025. A Primeira-Ministra reiterou a importância de impulsionar a produção interna e reduzir gradualmente a dependência das importações para estabilizar o custo de vida no país.
No setor das infra-estruturas rodoviárias, a reabilitação da Estrada Nacional Número 1 (EN1) permanece como uma das prioridades estratégicas. Foi anunciado o lançamento do concurso público para a concessão do troço entre Marracuene e Xai-Xai, modelo que será executado através de uma parceria público-privada.
Saúde e Mobilidade Urbana
No domínio da saúde pública, o Governo reforçou que está a implementar mecanismos mais rigorosos de controlo e gestão da cadeia de abastecimento de medicamentos e insumos médicos, visando estancar focos de desvio nas unidades sanitárias e exortando a população à denúncia de práticas irregulares.
Para conter o impacto da oscilação dos preços dos combustíveis no orçamento familiar e no transporte de passageiros, destacou-se a alocação de 100 novos autocarros distribuídos por 15 municípios das regiões Centro e Norte do país. Esta frota deverá assegurar o transporte de aproximadamente 780 mil passageiros por mês, enquanto o Executivo continua a monitorizar os mercados internacionais para adotar novas medidas de proteção social.