Cerca de 5,3 milhões de pessoas distribuídas por 76 distritos de Moçambique poderão ser afetadas pelos impactos do fenómeno El Niño ao longo da época chuvosa 2026-2027. Do total de distritos identificados sob risco no território nacional, 52 são classificados como críticos, exigindo a consolidação de medidas urgentes de preparação e mitigação da escassez hídrica.
Dimensão do risco e assimetrias regionais
Os dados foram avançados pelo secretário permanente do Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Hélio Banze, durante a abertura de um seminário focado na comunicação de riscos associados a eventos climáticos, realizado em Macaneta, no distrito de Marracuene, província de Maputo.
De acordo com o governante, o Plano de Resposta à Emergência para os Impactos do Fenómeno El Niño no período 2026-2027 demonstra a magnitude do desafio que se avizinha. As projeções meteorológicas indicam a ocorrência de um El Niño severo, caracterizado pela diminuição acentuada da precipitação nas regiões Centro e Sul do país, enquanto a região Norte poderá registar episódios de chuva abundante.
As assimetrias regionais requerem estratégias diferenciadas de intervenção, uma vez que os efeitos do fenómeno ultrapassam a variação pluviométrica, ameaçando diretamente o abastecimento de água potável para consumo humano, a produção agrícola, a pecuária e os meios de subsistência das populações.
Reforço de infraestruturas hídricas
Entre as principais ameaças identificadas estão os períodos prolongados de estio e as temperaturas acima da média, fatores que deverão colocar sob forte pressão os sistemas de captação de água e agravar a vulnerabilidade alimentar nas áreas mais expostas.
Como resposta preventiva, o setor das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos definiu um conjunto de intervenções prioritárias, onde se inclui a construção e reabilitação de pequenas represas e reservatórios escavados, além da abertura de furos multiusos dotados de sistemas de rega para reforçar a segurança hídrica das comunidades afetadas.
Informação atempada e gestão de risco
Paralelamente às obras de engenharia, Hélio Banze salientou que a capacidade de resposta comunitária depende do acesso a informações claras, céleres e acessíveis sobre a evolução dos riscos e os procedimentos de prevenção que cada família deve adotar para resguardar a sua vida e património.
O responsável sublinhou a responsabilidade da cobertura jornalística na transmissão rigorosa dos alertas, defendendo uma abordagem focada no interesse público que evite a propagação de cenários alarmistas ou o tratamento de meras previsões meteorológicas como eventos confirmados antecedendo a sua ocorrência.