O Ministro dos Transportes e Infra-estruturas do Botsuana, Keagile Atamelang, destacou a relevância dos portos moçambicanos de Maputo, Beira e Nacala como alternativas estratégicas essenciais para a diversificação das rotas de exportação do seu país. Durante a sua intervenção, o governante defendeu uma maior integração dos corredores logísticos da África Austral e a harmonização dos procedimentos fronteiriços para otimizar o fluxo regional de mercadorias.
As declarações foram proferidas na edição inaugural do Fórum e Exposição de Investimento em Transportes e Logística de Moçambique (TRANS-LOG MOZ 2026), a decorrer em Maputo. Na ocasião, Atamelang caracterizou a posição geográfica de Moçambique como uma oportunidade determinante para o Botsuana alargar o seu acesso aos mercados internacionais.
Ampliação e flexibilização de rotas logísticas
O ministro explicou que o Botsuana possui atualmente corredores de transporte ativos com a Namíbia, África do Sul, Zimbabué e Zâmbia. Contudo, a estratégia do governo visa interligar essas redes aos corredores moçambicanos para estabelecer novos canais de escoamento. O governante salientou a viabilidade do porto da Beira e apontou também a infra-estrutura de Nacala como rota viável de acesso ao mar.
De acordo com Atamelang, a diversificação é fundamental para garantir flexibilidade ao transporte de mercadorias e mitigar riscos associados à dependência de um único corredor, prevenindo estrangulamentos logísticos e atrasos comerciais. O ministro sublinhou que a escolha das rotas deve considerar a disponibilidade de ligações alternativas capazes de assegurar a continuidade do transporte, e não apenas a distância geográfica.
A consolidação da conectividade regional deverá contribuir para a diversificação da economia do Botsuana, ao criar condições otimizadas para o escoamento de recursos naturais e produtos processados para o mercado global.
Harmonização de procedimentos e gestão transfronteiriça
Apesar do potencial das infra-estruturas existentes, o ministro alertou que a eficácia dos corredores depende do estabelecimento de mecanismos comuns de gestão e da harmonização das estruturas legais e regulamentares entre os países da região.
Atamelang defendeu a implementação de órgãos conjuntos de gestão de corredores e a padronização dos protocolos fronteiriços para facilitar a circulação ferroviária e o trânsito de mercadorias, eliminando entraves administrativos. A compatibilidade dos sistemas de transporte é apontada como prioridade para evitar que diferenças legislativas travem as operações transfronteiriças.
A intervenção ocorreu durante um painel ministerial sob o tema “Corredores da Região Sul e Central: Limpopo e Beira”, moderado por Ambrósio Adolfo Sitoe, do Ministério dos Transportes e Logística de Moçambique. O painel contou igualmente com a participação do Ministro dos Transportes de Moçambique, João Jorge Matlombe, do Ministro dos Transportes do Zimbabué, Felix Mhona, do Ministro dos Transportes de Eswatini, Ndlaluhlaza Ndwandwe, e do Vice-Ministro dos Transportes da Namíbia, Hans Haikali. O debate centrou-se em soluções para reduzir os tempos de trânsito nas fronteiras e na identificação de projectos conjuntos de infra-estruturas a serem apresentados a financiadores até 2027.
Sobre o fórum TRANS-LOG MOZ 2026
A edição inaugural do TRANS-LOG MOZ 2026 decorre nos dias 4 e 5 de Novembro no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo. O evento reúne representantes governamentais da África Austral, investidores nacionais e internacionais, instituições financeiras e operadores do sector privado.
O encontro promove debates focados em oportunidades de investimento, modernização de portos, estradas e redes ferroviárias, financiamento de infra-estruturas, redução de custos logísticos e remoção de barreiras ao comércio, visando fortalecer a competitividade regional.