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Economia

Desempenho Económico de Moçambique Registou Crescimento nas Receitas, Pico no PMI e Auditorias Milionárias

As receitas do Estado em Moçambique cresceram 10,3% até setembro de 2026, o PMI atingiu o valor mais elevado desde 2022 e auditorias no sector extractivo identificaram 10,2 mil milhões de meticais.
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O desempenho económico de Moçambique foi marcado por quatro desenvolvimentos centrais: o crescimento de 10,3% nas receitas do Estado até setembro de 2026, impulsionado pela cobrança do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA); a recuperação substancial da atividade empresarial, com o Purchasing Managers’ Index (PMI) a atingir o seu nível mais elevado desde abril de 2022; a identificação de 10,2 mil milhões de meticais em auditorias ao sector extractivo; e projeções internacionais que apontam para um acréscimo potencial de 324 milhões de dólares no Produto Interno Bruto (PIB) ao longo de dez anos através da adoção da inteligência artificial.

Receitas Estatais Aumentam 10,3%, Mas Execução do Investimento Público Fica nos 26%

As receitas do Estado totalizaram 291,1 mil milhões de meticais nos primeiros nove meses de 2026, representando um acréscimo de 27,2 mil milhões de meticais face ao período homólogo do ano anterior, de acordo com o balanço do terceiro trimestre do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE). O desempenho foi impulsionado pela arrecadação líquida do IVA, que subiu 48,9% para 81,7 mil milhões de meticais, correspondendo a aproximadamente 98,6% do aumento líquido global das receitas. Em contrapartida, a receita do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRPC) recuou 3,8%, fixando-se em 74,1 mil milhões de meticais, enquanto a despesa pública global diminuiu 7% para 292,2 mil milhões de meticais, o equivalente a 55% do orçamento atualizado.

Apesar da melhoria na arrecadação fiscal, o investimento público manteve-se limitado pela fraca execução dos recursos externos, cifrando-se em apenas 29,2 mil milhões de meticais — o correspondente a 26,2% da dotação anual prevista de 111,4 mil milhões de meticais. O investimento financiado por fontes internas atingiu uma taxa de execução de 44,8%, enquanto a componente externa se ficou pelos 18,1%, reflexo dos baixos níveis de desembolso por parte dos parceiros de cooperação. As despesas com pessoal absorveram 163,4 mil milhões de meticais, representando cerca de 56% dos gastos totais. Paralelamente, a dívida do Governo central ascendeu a 1,138 bilião de meticais em setembro, com a componente interna a representar 50,4% do total, evidenciando a pressão do endividamento interno sobre as contas públicas.

PMI Atinge Pico Desde 2022, Mas Recuperação Não Impulsiona o Emprego

A atividade do sector privado recuperou em outubro, com o Standard Bank Purchasing Managers’ Index (PMI) a subir de 50,2 pontos em setembro para 52,7 pontos — a leitura mais alta desde abril de 2022. Os dados compilados pela S&P Global indicam que as condições operacionais melhoraram pelo quarto mês consecutivo, impulsionadas pelo crescimento das novas encomendas ao ritmo mais rápido desde junho de 2021. Pela primeira vez em mais de dois anos, todos os cinco sectores monitorizados pela sondagem registaram um aumento simultâneo na procura, com destaque para a construção, enquanto as aquisições de matérias-primas e outros insumos registaram a maior taxa de expansão desde o início do estudo em março de 2015.

Contudo, a produção aumentou apenas de forma marginal e o nível de emprego voltou a cair pela terceira vez nos últimos quatro meses, refletindo constrangimentos financeiros, acesso limitado ao crédito e pressões na cadeia de suprimentos. Os custos dos insumos subiram ao ritmo mais acelerado desde meados de 2022, inflacionados pelos preços dos combustíveis, transportes e importações. Ainda assim, cerca de 77% das empresas inquiridas preveem expandir a produção nos próximos 12 meses, sustentadas por expectativas favoráveis ligadas aos projetos de gás natural liquefeito. O economista-chefe do Standard Bank Moçambique, Fáusio Mussá, observou que tais projetos podem sustentar a procura de bens e serviços, embora o declínio do emprego e a persistência de restrições financeiras continuem a evidenciar fragilidades no processo de recuperação económica.

Auditorias no Sector Extractivo Detetam 10,2 Mil Milhões de Meticais

As ações de fiscalização conduzidas pela Autoridade Tributária (AT) junto de empresas do sector extractivo identificaram cerca de 10,2 mil milhões de meticais (equivalentes a 137,4 milhões de euros) entre janeiro e setembro de 2026. O montante refere-se a valores apurados em auditorias e inspecções, não significando necessariamente a sua cobrança efetiva imediata. No mesmo período, as receitas dos megaprojetos cresceram 84%, alcançando cerca de 14 mil milhões de meticais, dos quais 11,4 mil milhões de meticais resultaram do sector petrolífero e 2,5 mil milhões da mineração. A AT informou ainda que a arrecadação de impostos específicos da indústria extractiva registou uma subida de 103%, tendo a atividade mineira representado cerca de 86% desta componente.

No âmbito da fiscalização direta, a AT acompanhou três leilões internacionais de rubis realizados entre janeiro e julho, que movimentaram 83,73 milhões de dólares em vendas e geraram 8,07 milhões de dólares em imposto de produção mineira. Foram também efetuadas visitas de monitoria a 30 projetos localizados nas províncias de Cabo Delgado, Niassa, Nampula e Manica, com o objetivo de reforçar o controlo fiscal sobre as operações. As auditorias contaram com apoio técnico do projeto Taxation for Inclusive Development (TEDI) e do African Tax Administration Forum (ATAF).

Inteligência Artificial Pode Adicionar 324 Milhões de Dólares ao PIB em Dez Anos

A adoção de tecnologias de inteligência artificial poderá ter um impacto substancial na economia moçambicana, podendo adicionar 324 milhões de dólares ao PIB no decurso de dez anos, segundo estimativas do Ayre Commonwealth Youth AI Readiness Index 2026, desenvolvido pelo Ayre Think Tank. O estudo posiciona Moçambique no 44.º lugar entre 56 países avaliados, com uma pontuação de 38,9 em 100 — valor abaixo do limiar de prontidão fixado nos 53 pontos. Entre os principais obstáculos identificados estão as limitações no acesso à infraestrutura tecnológica: apenas 36,9% da população dispõe de eletricidade e cerca de 35% utiliza a internet. O relatório aponta igualmente desafios no mercado laboral, notando que 80,5% dos jovens empregados vivem em situação de pobreza e somente 0,3% dos trabalhadores com idades entre os 15 e os 24 anos exercem profissões com exposição relevante à IA generativa.

Apesar destas barreiras, o levantamento destaca o potencial económico para um país com cerca de 9,7 milhões de jovens entre os 15 e os 29 anos, projetando um impacto no PIB de 156 milhões de dólares num cenário conservador, 324 milhões num cenário moderado e 491 milhões de dólares num cenário otimista ao longo de uma década, com base em modelos do Fundo Monetário Internacional (FMI).

No plano nacional, o relatório destaca iniciativas em curso, tais como a inauguração de uma incubadora de empreendedorismo jovem em Nampula e o lançamento da ferramenta MAZA IA, desenvolvida pela MOZEDU e pela Vodacom Moçambique para apoiar estudantes e professores na aprendizagem digital. O estudo recomenda o reforço dos investimentos em conectividade, educação, empreendedorismo e segurança digital para transformar o potencial tecnológico em ganhos económicos concretos para o país.

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Chipindo

Redação: Chipindo

Jornalista e redator no portal Radar Nacional (rn.co.mz), cobrindo as principais atualidades de Moçambique e do mundo.

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