A redução das disparidades históricas no acesso à água e ao saneamento entre as zonas urbanas e periféricas constitui uma das prioridades centrais da reforma em curso neste sector estratégico. A iniciativa visa corrigir assimetrias na distribuição de investimentos e infra-estruturas que, ao longo de anos, privilegiaram os centros urbanos em detrimento das comunidades não urbanas.
Desafio da Cobertura na Região de Maputo
Na área de actuação da Empresa Águas e Saneamento de Maputo (SAAS-MAPUTO), que compreende a cidade e a província de Maputo, o cenário exige intervenções urgentes. Actualmente, a empresa cobre apenas 40% da população, servindo cerca de 320 mil clientes, um volume que evidencia a necessidade premente de acelerar a expansão das redes de abastecimento.
Os dados foram apresentados esta sexta-feira (06), pelo administrador delegado da SAAS-MAPUTO, Jánio Langa, durante uma conferência de imprensa realizada na cidade de Maputo, convocada para analisar o panorama do abastecimento de água e saneamento na região. Segundo o gestor, a capacidade de mobilização de recursos financeiros não tem acompanhado o ritmo do crescimento demográfico nem o surgimento de novos aglomerados habitacionais.
“Ainda estamos com uma cobertura média de cerca de 40%. Significa que há um desafio significativo para conseguirmos alcançar a cobertura universal. Neste momento, estamos com cerca de 320 mil clientes, mas com grandes desafios ainda”, declarou Jánio Langa.
Capacidade de Produção e Expansão da Rede
Para responder de forma eficaz às necessidades da cidade e província de Maputo, a região necessita de uma capacidade de produção estimada em 500 mil metros cúbicos de água por dia. No entanto, o responsável explicou que o aumento da produção isolado não basta, sendo indispensável expandir as redes de distribuição e reforçar a infra-estrutura física para assegurar que a água chegue efectivamente às torneiras dos cidadãos.
A expansão constante das áreas habitacionais tem exercido uma pressão sem precedentes sobre os sistemas existentes. Contudo, o volume de investimentos realizados nos últimos anos não acompanhou essa dinâmica, resultando nos actuais índices limitados de cobertura.
Foco na Equidade do Saneamento
A reestruturação do sector pretende igualmente equilibrar os níveis de acesso entre o abastecimento de água e o saneamento básico. Conforme expôs Jánio Langa, embora a distribuição de água apresente um indicador ligeiramente superior, o sector de saneamento enfrenta carências ainda mais acentuadas, exigindo uma abordagem integrada entre ambas as frentes.
O plano de reforma foca-se no aumento da qualidade dos serviços e na elevação dos níveis de satisfação dos consumidores, pretendendo garantir uma prestação mais eficiente, justa e sustentável para as populações de toda a área de cobertura.