O Executivo angolano projeta que o investimento em infra-estruturas de apoio ao sector do turismo atinja um bilião de dólares americanos até ao final de 2026. O alcance desta meta financeira está dependente da aprovação de novos projectos que se encontram atualmente sob análise da Presidência da República de Angola, visando reforçar a diversificação económica e consolidar o país como um destino de referência internacional.
Aporte financeiro e áreas prioritárias
Até ao momento, o volume de investimento concluído durante o presente ano cifra-se em aproximadamente 850 milhões de dólares. Segundo o Secretário de Estado para a Gestão de Ativos e Concessões do Turismo, Josemar Afonso, existem diversas propostas a aguardar validação ao nível da Presidência, cuja luz verde permitirá ultrapassar a barreira de um bilião de dólares em curto prazo.
Os recursos financeiros alocados destinar-se-ão à construção e reabilitação de infra-estruturas essenciais, nomeadamente redes viárias, sistemas de saneamento básico, abastecimento de água, energia elétrica e redes de telecomunicações. As intervenções visam melhorar a acessibilidade e as condições de acolhimento em zonas turísticas estratégicas, com destaque para Cabo Ledo, Okavango e a Serra da Leba.
Promoção internacional e segmentos de mercado
A estratégia de promoção do destino tem ganho visibilidade em certames internacionais de grande dimensão, como a World Travel Market (WTM) em Londres e a Feira Internacional de Turismo (FITUR) em Madrid. O país tem promovido a sua diversidade paisagística — que inclui desertos, praias, parques naturais e áreas de safari — focando-se em segmentos como o turismo de natureza, aventura e descoberta.
Entre as atrações em evidência destaca-se o acampamento no deserto do Namibe, apontado como uma experiência singular. O turismo tem assumido um papel central nas políticas de diversificação da economia angolana, revelando um elevado potencial para a captação de investimento privado e geração de negócios.
Desempenho do sector e metas de crescimento
Em 2025, Angola registou a entrada de mais de 223 mil turistas internacionais, o que representa um crescimento de 28% em comparação com os dados de 2022. No entanto, o plano do Executivo prevê atingir a meta de um milhão de visitantes internacionais nos próximos anos.
Atualmente, a estrutura dos fluxos turísticos indica que cerca de 70% das chegadas internacionais estão associadas a viagens de negócios, enquanto 23% correspondem ao turismo de lazer, evidenciando a necessidade de alargar a oferta para captar novos perfis de viajantes.
Capacidade hoteleira e impacto socioeconómico
De acordo com dados apresentados pelo Presidente da República, João Lourenço, na sua mensagem sobre o Estado da Nação em Outubro, a capacidade de alojamento em Angola é suportada por 1 577 estabelecimentos hoteleiros e similares, oferecendo mais de 31 mil quartos.
Em 2025, a taxa média de ocupação fixou-se em 72% nos hotéis e em 75% nos restantes estabelecimentos de alojamento. O sector gerou receitas na ordem dos 667 milhões de dólares e promoveu a criação de mais de 9 mil postos de trabalho.
Conectividade aérea e desafios operacionais
Para impulsionar a atividade turística, foi implementada a isenção de vistos de entrada para cidadãos de 99 países, mediante o cumprimento das condições regulamentares. O país mantém ligações aéreas diretas com destinos como Portugal, França, Cabo Verde, Maputo, Cidade do Cabo, Joanesburgo e Qatar, pretendendo expandir a captação de visitantes em mercados europeus como Alemanha, Suíça e Espanha.
Apesar das perspetivas de crescimento, persistem desafios relacionados com a perceção de segurança por parte dos viajantes internacionais, perspetivando-se a continuação de trabalho informativo e de capacitação para consolidar a imagem de Angola nos mercados emissores.