Expansão e Modernização do Canal de Acesso
A Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC) está a levar a cabo um projeto de aprofundamento e alargamento do canal de acesso ao porto, com o objetivo de permitir que embarcações com capacidade de até 14 000 TEU (unidades equivalentes a 20 pés) possam aportar na infraestrutura. A intervenção foi desenhada para acomodar navios de maior dimensão, acompanhando a expansão dos terminais portuários e reforçando a competitividade do Porto de Maputo no mercado regional.
As informações foram apresentadas durante o segundo e último dia do Fórum e Exposição de Investimento em Transportes e Logística de Moçambique (TRANS-LOG MOZ 2026), realizado em Maputo, pelo diretor executivo de projetos da MPDC, Paulo Mata, na quinta-feira, 5 de Novembro.
Segundo Paulo Mata, o projeto de dragagem decorre da necessidade de adequar o canal aos investimentos de expansão em curso no terminal de contentores e no terminal de carvão da Matola, ambos preparados para receber navios de maior porte. A ampliação do terminal de contentores prevê a operação de navios com 366 metros de comprimento e capacidade de 14 000 TEU — dimensões incompatíveis com a atual geometria do canal. “No canal atual, não é possível ter este navio a transitar. Por essa razão, tivemos de rever a geometria do canal para garantir uma navegação segura”, explicou o responsável.
Alterações Técnicas e Prazos de Execução
Atualmente, o canal de acesso ao Porto de Maputo tem uma extensão aproximada de 74 quilómetros, com uma largura de 110 metros nos troços retos e 150 metros nas curvas. Com a nova empreitada, a largura aumentará para 190 metros nas zonas retas e 295 metros nas curvas, otimizando significativamente as condições de navegabilidade marítima.
A intervenção contempla ainda a criação de zonas de manobra e o reposicionamento das bóias de navegação, de modo a alinhar a sinalização marítima com as novas especificações técnicas do canal. O projeto teve início formal a 12 de Outubro de 2026, tendo os trabalhos de construção arrancado três dias depois, a 15 de Outubro. Com um período total de execução estimado em 12 meses, a obra registava cerca de 2% de execução à data da apresentação, prevendo a MPDC que o canal esteja plenamente navegável para ambas as classes de navios até Setembro de 2027.
Crescimento Histórico e Competitividade Regional
O investimento é considerado estratégico para sustentar o crescimento contínuo das operações portuárias e responder à procura de transporte de carga por parte dos exportadores que utilizam o Corredor de Maputo. Como referência da evolução alcançada nas últimas duas décadas, Paulo Mata recordou que o Porto de Maputo manuseou cerca de 5 milhões de toneladas em 2003, ano de início da concessão, tendo atingido aproximadamente 32 milhões de toneladas em 2025. Este crescimento é atribuído aos investimentos de modernização infraestrutural, incluindo dragagens anteriores que aumentaram a profundidade do canal.
O responsável sublinhou igualmente que as decisões de investimento devem ter em conta a concorrência regional, num momento em que outros portos da região realizam intervenções de modernização. Os exportadores avaliam custos, tempos de rotação operacional e eficiência dos serviços antes de selecionarem o porto para o escoamento das suas mercadorias. “Não direi aqui que seremos melhores, mas no final do dia é o cliente que fará essa comparação”, afirmou.
A apresentação inseriu-se num painel dedicado aos projetos estruturantes nos corredores logísticos, moderado por Fernando Sebastião Ouana, do Ministério dos Transportes e Logística. A sessão contou também com as intervenções de Rowan Diviani, da GTL, que apresentou o projeto do Terminal de Grãos de Nacala, e do engenheiro Simão Munguambe, do ITRANSMAR, que abordou os investimentos na sinalização marítima.
Sobre o TRANS-LOG MOZ 2026
A edição inaugural do TRANS-LOG MOZ 2026 decorreu nos dias 4 e 5 de Novembro na capital moçambicana, reunindo membros de governos da África Austral, investidores, instituições financeiras e operadores económicos. Ao longo dos dois dias de trabalhos, o evento promoveu debates focados no financiamento de infraestruturas, na modernização dos corredores logísticos, na redução dos custos de transporte e no fortalecimento da integração comercial regional.