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Economia

Terminal de GNL da Matola Prevê Fecho Financeiro Até 2027 para Substituir Gás de Pande e Temane

A Beluluane Gas Company prevê atingir o fecho financeiro do terminal de importação de GNL na Matola até ao final de 2027, garantindo o abastecimento energético antes do esgotamento das reservas de Pande e Temane.
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Moçambique está a avançar com os planos para a implementação de um terminal de importação de gás natural liquefeito (GNL) na Matola, com o objetivo de assegurar uma fonte alternativa de abastecimento energético assim que a produção dos campos de Pande e Temane se esgotar, previsivelmente por volta de 2030. A Beluluane Gas Company (BGC) prevê atingir o fecho financeiro do projeto até ao final de 2027, segundo anunciou a empresa na quinta-feira, 5 de junho.

Como parte dos trabalhos preparatórios, a BGC confirmou a nomeação do consórcio VGI/PRDW como Engenheiro do Proprietário (Owner’s Engineer) para a futura infraestrutura. O consórcio terá a responsabilidade de consolidar os projetos de engenharia e dar suporte à finalização do processo de contratação da empresa construtora que executará as obras sob a modalidade de Engenharia, Aprovisionamento e Construção (EPC).

De acordo com a empresa, este passo é fundamental para permitir o avanço rumo ao fecho financeiro. O financiamento inicial para o arranque do projeto será assegurado pela Matola Gas Company (MGC) e pela Gigajoule International (GI).

Garantia de Abastecimento a Centrais Elétricas e à Indústria

A entrada em funcionamento da infraestrutura antes da exaustão da produção em Pande e Temane é considerada crucial para assegurar a continuidade do fornecimento de gás às centrais térmicas do Chókwè, Ressano Garcia e Maputo. Em conjunto, estas centrais garantem cerca de 450 megawatts à rede da Electricidade de Moçambique (EDM).

O terminal destina-se igualmente a suprir as necessidades da indústria transformadora na área do grande Maputo e da Matola, cujas operações dependem diretamente desta matriz energética.

As negociações comerciais relativas ao fornecimento de GNL, ao financiamento da construção e à venda de gás à África do Sul encontram-se na fase final, devendo novos desenvolvimentos ser anunciados em breve, indicou a BGC.

Pande e Temane Aproximam-se do Fim do Ciclo Produtivo

A urgência por uma solução alternativa decorre da maturidade avançada dos campos de Pande e Temane, situados na província de Inhambane e explorados pela sul-africana Sasol no âmbito de um Acordo de Produção Petrolífera (PPA) firmado em 2000.

Dados divulgados pela empresa em agosto revelam que a produção acumulada dos campos de Pande, Temane e Inhassoro atingiu 3 306,41 petajoules até outubro de 2025, o correspondente a 79,48 mil milhões de metros cúbicos de gás. Desse montante, 3 278,66 petajoules provieram exclusivamente dos campos abrangidos pelo PPA.

As reservas iniciais de Pande e Temane foram estimadas em 4,5 biliões de pés cúbicos, dos quais aproximadamente 3,1 biliões já haviam sido extraídos até ao final de 2025. A Sasol projeta o encerramento da extração para 2030, admitindo, contudo, a hipótese de efetuar investimentos adicionais para estender a operação até 2031. A licença de produção do PPA vigora até 2034.

Em paralelo, a Sasol iniciou em 2025 a produção ao abrigo de um Contrato de Partilha de Produção (PSC) focado no campo de Inhassoro. Válida até 2050, esta concessão conta com recursos estimados em 2,5 biliões de pés cúbicos, dos quais cerca de 1,2 biliões são considerados recuperáveis na forma de gás natural, óleo leve e gás de petróleo liquefeito.

A BGC foi fundada em 2016 pela sul-africana Gigajoule e pela francesa TotalEnergies para promover o projeto de importação de GNL através do porto da Matola. Já a MGC opera no fornecimento de gás à região desde 2005, abastecendo atualmente duas centrais elétricas e mais de 35 unidades industriais com gás de origem nacional.

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Chipindo

Redação: Chipindo

Jornalista e redator no portal Radar Nacional (rn.co.mz), cobrindo as principais atualidades de Moçambique e do mundo.

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