O ministro dos Transportes do Zimbabué, Felix Mhona, defendeu esta quarta-feira a eliminação imediata dos constrangimentos administrativos e operacionais que travam o comércio entre os países da África Austral. Durante a sua intervenção, o governante alertou que a falta de coordenação na gestão fronteiriça e na execução de projectos de infra-estruturas está a comprometer severamente a eficiência dos corredores logísticos regionais.
As declarações foram proferidas no âmbito da edição inaugural do Fórum e Exposição de Investimento em Transporte e Logística de Moçambique (TRANS-LOG MOZ 2026), evento a decorrer em Maputo. Na ocasião, Mhona sublinhou a urgência de harmonizar procedimentos e reforçar a cooperação transfronteiriça para agilizar a circulação de mercadorias.
Modernização sem alinhamento é insuficiente
Durante a sua alocução, o ministro zimbabueano argumentou que a simples modernização das infra-estruturas físicas de transporte não garante a eficácia operacional dos corredores, sobretudo se os Estados vizinhos mantiverem procedimentos divergentes ou falharem na sincronização de investimentos.
“Podemos fazer o nosso trabalho, ou vocês podem fazer o vosso trabalho, mas quando não concordamos, não há forma de ter um corredor funcional”, advertiu Felix Mhona, instando a um alinhamento estratégico e prático entre os governos da SADC.
O governante apontou como principais entraves os atrasos recorrentes nos postos fronteiriços, decorrentes de burocracias de imigração e da intervenção desarticulada de múltiplas entidades estatais. Como exemplo prático da necessidade de procedimentos compatíveis, Mhona citou a travessia de Machipanda-Forbes, que liga Moçambique ao Zimbabué.
Passagem das palavras à acção
O ministro colocou igualmente em causa a eficácia dos acordos bilaterais assinados que não sejam acompanhados de medidas operacionais concretas, defendendo que os compromissos políticos devem resultar em planos de acção claros e mensuráveis.
“Qual é o plano de acção depois de assinarmos um Memorando de Entendimento?”, questionou, enfatizando que é imperativo estabelecer matrizes de implementação capazes de converter acordos formais em resultados visíveis para os operadores económicos.
Painel de alto nível sobre corredores estratégicos
As posições do Zimbabué foram apresentadas num painel ministerial de alto nível dedicado ao tema “Corredores da Região Sul e Central: Limpopo e Beira”. O debate contou com a moderação de Ambrósio Adolfo Sitoe, do Ministério dos Transportes e Logística de Moçambique.
O painel integrou também as contribuições do ministro dos Transportes de Moçambique, João Jorge Matlombe, do ministro dos Transportes do Eswatini, Ndlaluhlaza Ndwandwe, do ministro dos Transportes do Botsuana, Keagile Atamelang, e do vice-ministro dos Transportes da Namíbia, Hans Haikali.
Sobre o fórum TRANS-LOG MOZ 2026
A decorrer nos dias 4 e 5 de Novembro, no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo, a primeira edição da TRANS-LOG MOZ 2026 reúne governantes, investidores nacionais e internacionais, instituições financeiras e líderes empresariais.
O encontro visa debater oportunidades de investimento, a modernização de portos, estradas e caminhos-de-ferro, o financiamento de infra-estruturas e a redução dos custos logísticos, consolidando a posição estratégica de Moçambique na integração económica regional.