ONU alerta para riscos da inteligência artificial aos direitos humanos
O alto-comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Volker Turk, manifestou forte preocupação relativamente ao rápido avanço da inteligência artificial (IA). Segundo o responsável, a tecnologia coloca em risco direitos fundamentais, incluindo os direitos à vida, à alimentação, à privacidade, à saúde e à segurança.
O alerta foi emitido esta segunda-feira, através de uma declaração que exige uma resposta imediata e coordenada por parte dos Estados e das empresas tecnológicas. O alto-comissário destacou que a corrida acelerada para o desenvolvimento de sistemas mais poderosos acarreta um aumento substancial dos riscos que afectam diversos aspectos da vida humana.
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Em particular, o responsável advertiu sobre os perigos da chamada IA “agêntica”, capaz de ultrapassar as capacidades dos modelos tradicionais ao tomar decisões de forma autónoma e executar planos complexos sem intervenção humana directa. Falhas nestes sistemas podem causar a interrupção de serviços essenciais, falhas nas comunicações e a desestabilização de infra-estruturas críticas, privando populações de recursos vitais como água ou serviços financeiros.
No contexto internacional, Turk referiu que a utilização destas tecnologias em cenários de conflito está a acelerar as dinâmicas de guerra e a enfraquecer as garantias de protecção contra armas de destruição maciça. A tomada de posição da ONU acompanha manifestações de apreensão feitas por líderes do sector tecnológico, que têm defendido um abrandamento no desenvolvimento de modelos mais avançados.
Diante deste cenário, o alto-comissário fez um apelo urgente para a mobilização de Estados e empresas em fóruns multilaterais, visando estabelecer uma governação global assente no direito internacional e na salvaguarda dos direitos humanos, sublinhando que nenhum país ou empresa deve deter o poder isolado de definir os limites do progresso tecnológico.
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