Moçambique e os Emirados Árabes Unidos (EAU) voltaram a discutir a conclusão do Acordo de Parceria Económica Abrangente (CEPA), num encontro de alto nível que colocou a agro-indústria, a energia, os portos e o turismo no centro das prioridades de investimento. A aproximação procura aprofundar uma cooperação estratégica que já conta com capital emiradense activo nos projectos de gás do Rovuma e na gestão logística do Porto de Maputo.
O ministro da Economia, Basílio Muhate, reuniu-se com o ministro do Comércio Externo dos EAU, Thani bin Ahmed Al Zeyoudi, no domingo, 1 de Novembro, na Turquia. As conversações centraram-se na finalização do CEPA e no mapeamento de oportunidades concretas na segurança alimentar, no processamento industrial, na energia, na infra-estrutura portuária e na logística nacional.
No sector do turismo, as autoridades dos dois países analisaram estratégias para aproximar investidores, grupos hoteleiros e operadores turísticos emiradenses do mercado moçambicano. A agenda incluiu ainda o reforço de ligações aéreas, projectos de formação profissional e o desenvolvimento de destinos turísticos no país. As informações mais recentes indicam que o processo permanece em fase de negociação, sem anúncio da assinatura final, calendário de entrada em vigor ou concessões comerciais específicas.
Negociações Dão Continuidade aos Contactos de Janeiro e Fevereiro
O diálogo na Turquia prolonga a agenda bilateral trabalhada ao longo do ano. Em Janeiro, durante a visita do Presidente Daniel Chapo a Abu Dhabi, os dois países promoveram uma mesa-redonda empresarial dedicada a sectores estratégicos como energia, agricultura, transportes, finanças e tecnologia.
Em Fevereiro, Basílio Muhate e o embaixador emiradense em Maputo voltaram a debater o avanço do CEPA, os mecanismos de protecção jurídica dos investimentos e a organização de um fórum empresarial conjunto, além de avaliarem a elaboração de um memorando de entendimento específico para o turismo.
Comércio Não Petrolífero Atingiu 1,7 Mil Milhões de Dólares em Nove Meses
Os indicadores económicos reflectem uma forte expansão nas trocas comerciais entre as duas nações. Em Janeiro de 2026, Al Zeyoudi revelou que o comércio bilateral não petrolífero atingiu cerca de 1,7 mil milhões de dólares entre Janeiro e Setembro de 2025 — um crescimento de 57,8% face ao período homólogo. O valor ultrapassou em mais de 300 milhões de dólares o montante total registado em todo o ano de 2024.
Dados divulgados pela Dubai Chambers evidenciam também o dinamismo do comércio não petrolífero com o emirado do Dubai, que subiu de 3,1 mil milhões de dirhams em 2023 para 4,6 mil milhões de dirhams em 2024, registando uma subida de 47%. No âmbito empresarial, uma missão comercial da Dubai Chamber of Commerce a Maputo, realizada em Abril de 2025, promoveu 356 encontros de negócios, contabilizando 89 empresas moçambicanas registadas como membros activos da instituição no fecho do primeiro trimestre desse ano.
Gás e Portos Materializam a Presença Emiradense
No sector energético, a presença do capital dos EAU consolida-se através da XRG, subsidiária da Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC), que concluiu em Março de 2025 a aquisição da participação de 10% da Galp na Área 4 da bacia do Rovuma. A transacção integra o grupo nos projectos Coral Sul FLNG, Coral Norte e Rovuma LNG.
Na área da logística, a multinacional DP World integra a estrutura accionista da Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC). A concessão portuária foi estendida até 2058, respaldada por um plano global de investimentos de 2,06 mil milhões de dólares assumido pela concessionária.
Estes activos servem de base para a consolidação das conversações em curso, que pretendem alargar os investimentos para a transformação industrial, a segurança alimentar e o turismo, estimulando novos fluxos comerciais e parcerias com fornecedores locais.