As altas temperaturas que se fazem sentir na região norte do país estão a acender o sinal de alarme nas autoridades de saúde. O Hospital Central de Nampula (HCN), maior unidade sanitária da região, alerta que o calor intenso pode acelerar significativamente a deterioração dos alimentos e favorecer a rápida proliferação de bactérias, vírus e parasitas causadores de infecções gastrointestinais e diarreias agudas.
Riscos do calor e contaminação alimentar
De acordo com o médico residente na Pediatria do HCN, Nelson Raja, o ambiente quente e sem a devida refrigeração cria as condições ideais para a multiplicação acelerada de microrganismos nocivos. A ingestão de comida contaminada representa um sério perigo para a saúde pública, com impacto direto na população infantil.
“As altas temperaturas criam o ambiente ideal para a multiplicação rápida de bactérias, vírus e fungos na comida mal conservada. Quando estes alimentos contaminados são consumidos, podem desencadear infecções intestinais graves, que evoluem rapidamente para a desidratação se não forem tratadas a tempo, colocando particularmente as crianças em perigo”, explicou o especialista.
Sinais de desidratação e perda de eletrólitos
A exposição prolongada ao calor excessivo também provoca a perda acentuada de água e sais minerais através do suor. Esta perda compromete o equilíbrio eletrolítico do organismo, afetando níveis vitais de sódio, potássio, cloreto e magnésio. Sem a devida reposição dessas substâncias, podem ocorrer complicações no funcionamento das células, dos músculos e do sistema nervoso central.
O médico destacou a extrema importância de os pais e cuidadores identificarem precocemente os sintomas de desidratação nos mais novos, em especial nos bebés. Entre os principais sinais de alerta estão a redução ou ausência total de urina, sonolência profunda e alterações evidentes no estado geral da criança.
“As crianças, especialmente os bebés, podem apresentar uma deterioração rápida do estado de saúde. Por isso, não se deve esperar que os sintomas melhorem sozinhos. Perante sinais de alerta, é necessário procurar assistência médica o mais rapidamente possível”, advertiu Nelson Raja.
Registos de malária em pediatria
Para além dos quadros gastrointestinais, a unidade hospitalar mantém a vigilância sobre outras enfermidades sazonais. Durante o último fim-de-semana, o Hospital Central de Nampula registou cerca de 88 casos de malária em crianças com menos de 10 anos de idade, reforçando a necessidade de cuidados redobrados por parte das famílias durante este período de calor intenso.