O Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos (MOPHRH) definiu como prioridade a extensão, ainda este ano, das acções de capacitação de jornalistas em comunicação de risco do fenómeno El Niño e gestão de recursos hídricos às regiões Centro e Norte do país. O anúncio foi feito na passada sexta-feira (30 de Outubro) pelo secretário permanente do ministério, Hélio Manuel Banze, durante a abertura de um seminário de formação realizado no distrito de Marracuene, província de Maputo.
Alerta para 5,3 milhões de pessoas vulneráveis
Durante a sua intervenção, Hélio Manuel Banze alertou que cerca de 5,3 milhões de pessoas poderão ser afectadas pelos impactos do fenómeno ao longo da época chuvosa e ciclónica de 2026-2027. O dirigente destacou que a preparação dos profissionais da comunicação social não deve limitar-se à capital, sendo fundamental capacitar jornalistas de todas as regiões para interpretar e divulgar correctamente as previsões climáticas e hidrológicas.
Para operacionalizar a expansão geográfica do programa, o MOPHRH desafiou a Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos, o Gabinete de Informação de Moçambique (GABINFO) e os parceiros estratégicos a organizar novas formações no Centro e Norte do país ainda no decorrer do presente ano.
«Temos que encontrar uma forma de tornar esta capacitação nacional. E lanço agora o desafio à Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos e aos outros parceiros que estão aqui presentes, para que possamos levar este seminário não só para Maputo, mas para o Centro e para o Norte», enfatizou Banze.
Rigor técnico e salvaguarda de vidas
O secretário permanente reforçou que a comunicação de eventos hidroclimáticos exige elevado rigor, clareza e precisão na apresentação dos dados, abrangendo períodos de ocorrência, áreas vulneráveis, níveis de gravidade e medidas preventivas. Banze exortou os profissionais de imprensa a recorrerem a fontes oficiais e a evitarem apresentar projecções como factos consumados.
«Comunicar nesta nossa área de salvar vidas é diferente da comunicação que fazemos para outro tipo de notícias. Uma informação sobre o risco não bem passada pode ter impactos bastante negativos nas nossas comunidades», advertiu.
Para a temporada 2026-2027, prevê-se disparidade na distribuição das chuvas. Zonas do Centro e Sul enfrentam probabilidade de défice hídrico e temperaturas elevadas, enquanto a região Norte apresenta um cenário distinto. O responsável sublinhou que a seca prolongada pode comprometer o abastecimento de água potável, a segurança alimentar e as actividades económicas.
Cenário crítico e acções de resposta
O Plano de Resposta à Emergência para os Impactos do Fenómeno El Niño 2026-2027 contabiliza 76 distritos em situação de risco, dos quais 52 são classificados como críticos. Perante a dimensão da ameaça, o ministério defende a conversão dos alertas em acções concretas, como a construção e reabilitação de pequenas represas, reservatórios escavados e a abertura de furos multiusos com sistemas de rega para fortalecer as comunidades.
Por seu turno, Elisabeth Mchola, representante do GABINFO, reiterou que a gestão de emergências exige coordenação e actuação preventiva, colocando a imprensa como um interveniente central na emissão de avisos prévios e sensibilização comunitária.
«A informação deve permitir que cada cidadão compreenda os riscos de estar exposto e conheça as medidas a adoptar antes, durante e após uma situação de emergência, com particular atenção às pessoas e grupos em situação de maior vulnerabilidade», concluiu Mchola.