O coordenador provincial da Rede Moçambicana dos Defensores dos Direitos Humanos e director da Associação Kóxukhuro, Gamito dos Santos, rejeitou categoricamente as acusações de que terá abandonado o activista social Jota Pachoneia, actualmente em prisão preventiva na cidade de Nampula. O responsável assegurou que mantém a prestação de assistência financeira, moral e jurídica ao activista e à sua família.
Segundo explicou Gamito dos Santos, a sua intervenção foi directa na mobilização e canalização dos apoios financeiros providenciados pela Rede Moçambicana dos Defensores dos Direitos Humanos. Os primeiros montantes alocados pela organização foram entregues directamente à esposa de Pachoneia, num processo em que o coordenador actuou como interlocutor principal. Além dessa ajuda inicial, um segundo apoio financeiro foi mobilizado recentemente pela mesma entidade.
No plano jurídico, Gamito dos Santos afirmou ter acompanhado diligências essenciais, incluindo a submissão de documentação ao tribunal e o contacto regular com o advogado encarregado da defesa. A opção por actuar sem ampla divulgação pública foi justificada pela necessidade de preservar a imagem e a situação delicada do activista, evitando a exposição desnecessária na imprensa e nas redes sociais para fins de promoção pessoal.
Gestão da imagem pública e divergências internas
Na sequência de encontros recentes entre elementos da organização, ficou recomendada a contenção nas publicações digitais sobre o estado de Jota Pachoneia. Gamito dos Santos alertou para o impacto negativo da divulgação de imagens que mostrem o activista debilitado — como as partilhadas anteriormente pelo activista Sismo Eduardo —, sustentando que tais conteúdos expõem a figura pública do detido de forma prejudicial.
O responsável reconheceu a existência de divergências de opinião pontuais entre si e Pachoneia, enquadrando-as no exercício normal da convivência democrática. Destacou ainda que eventuais incompreensões ou acusações infundadas serão devidamente clarificadas no foro interno após a restituição da liberdade do activista.
Processo relativo ao Hotel Plaza
Relativamente aos desdobramentos judiciais que envolvem o proprietário do Hotel Plaza, em Nampula, Gamito dos Santos revelou que se deslocou ao local acompanhado por Sismo Eduardo para apresentar um pedido de desculpas institucional. Em resposta, a direcção do estabelecimento solicitou a formalização da iniciativa por escrito, processo para o qual já foram elaborados os respectivos expedientes.
Apesar de ter visitado Jota Pachoneia no estabelecimento prisional apenas uma vez desde a sua detenção — facto justificado por razões do conhecimento do próprio detido —, Gamito dos Santos reiterou que o foco prioritário das acções em curso permanece totalmente centrado na obtenção da sua libertação.