O governador de Inhambane, Francisco Manuel Pagula, defendeu expressamente que as potencialidades económicas da província se devem traduzir em emprego, rendimento e melhores condições de vida para as comunidades locais, em vez de permanecerem confinadas a documentos e promessas de investimento.
Discursando na cidade da Maxixe, durante a Conferência sobre a Visão de Desenvolvimento Sustentável da Província de Inhambane, o governante apelou a uma reflexão profunda sobre os resultados dos encontros anteriores e exigiu a adopção de medidas concretas para transformar a riqueza em benefícios visíveis para a população.
“Chega de projectos nos papéis, queremos que a riqueza vire pão na mesa”, afirmou Francisco Pagula perante uma plateia composta por empresários, académicos, membros do Governo, parceiros de cooperação e representantes da sociedade civil.
Avaliação do Impacto dos Investimentos
O governante lembrou que o executivo provincial organizou duas grandes conferências de investimento, nomeadamente em 2017, na cidade de Inhambane, e em 2023, no distrito de Vilankulo. Embora reconheça que estas iniciativas serviram para promover o potencial da região, Pagula sustentou ser indispensável apurar quantos compromissos se converteram em acções reais.
“Não basta contabilizar os projectos apresentados, os investidores contactados ou os compromissos formalmente assumidos. Precisamos de compreender quantos desses compromissos evoluíram para projectos estruturados, quantos chegaram à fase de financiamento, quantos iniciaram a implementação e quantos estão efectivamente a produzir resultados em termos de emprego, produção e geração de renda”, sublinhou.
Preparação Estratégica para a Conferência de 2027
O evento realizado na Maxixe assumiu um carácter preparatório para a próxima Conferência de Investimentos, agendada para 2027. O objectivo central passa por mapear os principais obstáculos ao crescimento e criar mecanismos operacionais para que os projectos tenham aplicação prática.
Neste âmbito, o governador estruturou os trabalhos em quatro eixos prioritários:
- Economia e desenvolvimento produtivo: com foco na transformação local dos produtos e no fortalecimento dos empresários provinciais;
- Infra-estruturas, energia e conectividade: priorizando vias essenciais como a ligação Mapinhane–Pafúri e a reabilitação da estrada N240 para reduzir custos logísticos;
- Ambiente, mudanças climáticas e gestão territorial: articulando a exploração mineira com a protecção ambiental e o ecoturismo frente a secas e ciclones;
- Governação, investimento e financiamento: promovendo transparência, celeridade administrativa e um diálogo fluido entre os sectores público e privado.
“Não devemos ter receio de identificar aquilo que precisa de ser melhorado; devemos transformar cada constrangimento numa oportunidade de reforma”, pontuou.
Articulação entre Turismo, Agricultura e Indústria
Francisco Pagula reiterou a aposta nos quatro pilares económicos da província: turismo, agricultura, industrialização e exploração sustentável dos recursos naturais. Contudo, defendeu uma integração real entre eles, garantindo que a produção agrícola abasteça os empreendimentos turísticos e que a indústria local processe as matérias-primas da região.
Para o executivo provincial, a principal meta a médio e longo prazo é a erradicação da fome e a garantia da segurança alimentar de todas as famílias de Inhambane.
“A verdadeira medida do desenvolvimento é aquela que se reflecte na mesa de cada família, na dignidade de cada cidadão e na esperança que conseguimos devolver às nossas comunidades”, concluiu o governante.
Os resultados das auscultações na Maxixe vão integrar uma declaração orientadora para nortear as acções governamentais e empresariais até aos próximos ciclos de investimento.