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Zâmbia vai às urnas para escolher Presidente e Parlamento sob forte tensão

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Cerca de 8,7 milhões de cidadãos vão às urnas esta quinta-feira na Zâmbia. O eleitorado escolhe o novo Presidente da República e os membros do Parlamento nacional.

A votação coloca em confronto direto o atual Chefe de Estado, Hakainde Hichilema, e a oposição do país. Por um lado, o Governo defende a manutenção das suas políticas. Por outro lado, a oposição exige transformações sociais imediatas.

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Atualmente, as preocupações da população concentram-se no elevado custo de vida e na situação financeira das famílias. Consequentemente, o escrutínio reflete as inquietações diárias da população local.

Desafios económicos e perfil dos candidatos

O atual Presidente, Hakainde Hichilema, de 64 anos, tenta garantir a reeleição pelo Partido Unido para o Desenvolvimento Nacional. Ele assumiu o poder em 2021, após vencer na sua sexta tentativa eleitoral.

Na altura, o líder encontrou a nação em incumprimento financeiro devido ao endividamento registado na governação de Edgar Lungu. No entanto, o seu Executivo reestruturou a dívida externa e retomou o apoio do Fundo Monetário Internacional.

Além disso, a administração aplicou profundas reformas económicas para atrair investimento estrangeiro. Contudo, dados de organismos internacionais indicam que mais de 70 por cento dos cidadãos vivem com menos de três dólares diários.

Por essa razão, o antigo ministro Brian Mundubile surge como o principal rival do atual Chefe de Estado. O candidato opositor, de 55 anos, lidera uma coligação partidária que explora o descontentamento popular.

Embora o pleito conte com 14 concorrentes presidenciais, a disputa concentra-se nestes dois nomes. Adicionalmente, os jovens entre os 18 e 35 anos representam metade do eleitorado inscrito e podem decidir o resultado.

A relevância do setor mineiro e a votação

No plano financeiro, a extração mineral mantém um peso estratégico na economia nacional. Sendo o segundo maior produtor africano de cobre, o Governo pretende triplicar a produção até ao ano de 2031.

Neste setor, as empresas chinesas mantêm forte presença operacional e investimentos avultados. Portanto, a estabilidade política torna-se crucial para manter o crescimento do setor extrativo.

Paralelamente, o ambiente pré-eleitoral registou episódios graves de instabilidade e violência. A polícia local utilizou gás lacrimogéneo para travar confrontos violentos entre militantes partidários rivais.

Entretanto, a oposição denunciou atos sistemáticos de intimidação e limitações às suas ações públicas. O candidato Brian Mundubile acusou mesmo as autoridades de posicionarem atiradores de elite num comício em Mongu, a 580 quilómetros a oeste de Lusaca.

Regras eleitorais e contagem de votos

As mesas de voto abriram às 06h00 e fecham após 12 horas de funcionamento contínuo. Além da escolha do Chefe de Estado, estas eleições gerais vão renovar o Parlamento, que passa de 156 para 226 deputados eleitos diretamente.

Segundo o calendário oficial da Comissão Eleitoral, os resultados finais serão divulgados até ao dia 17 de agosto. Para garantir a vitória na primeira volta, o vencedor necessita de mais de 50 por cento dos votos válidos.

Caso nenhum aspirante alcance essa fasquia, os dois mais votados disputarão uma segunda volta. Em suma, o ato eleitoral avalia a consolidação democrática no país diante das preocupações sobre a liberdade de oposição.

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