O arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saure, defende o reforço da preparação e do acompanhamento contínuo dos casais como medida essencial para prevenir conflitos conjugais e divórcios. A tomada de posição surge num cenário em que várias famílias enfrentam crescentes dificuldades de convivência e onde as uniões de facto representam uma fatia expressiva da realidade social.
Fortalecimento da pastoral familiar e acompanhamento permanente
Segundo o prelado, a consolidação da pastoral familiar e do matrimónio deve constituir uma das grandes prioridades da Igreja Católica. A estratégia passa pela implementação de iniciativas que auxiliem os casais no preparo espiritual antes do matrimónio e no enfrentamento dos desafios diários da vida a dois.
Para Dom Inácio Saure, o acompanhamento aos cônjuges não pode ficar circunscrito ao período que antecede a celebração do casamento, devendo estender-se por toda a vida conjugal com foco na promoção de valores como o amor, respeito, diálogo, compreensão e responsabilidade mútua.
Estratégias debatidas em Roma para dinamizar uniões
O arcebispo revelou que a preocupação com a estabilidade dos lares esteve no centro de uma recente jornada de reflexão realizada em Roma. No encontro internacional, foram debatidas diretrizes para dinamizar a pastoral familiar e reforçar o protagonismo das famílias na missão evangelizadora.
“A partir do encontro que tivemos em Roma, queremos dinamizar a pastoral familiar e do matrimónio, preparando bem os casais e acompanhando-os, para que a família seja verdadeiramente missionária. Não queremos que seja apenas objecto da pastoral da Igreja, mas protagonista da pastoral do matrimónio e da família”, afirmou Dom Inácio Saure.
Crise no matrimónio e distinção entre divórcio e nulidade
Ao analisar os principais obstáculos que afetam a instituição familiar, Dom Inácio Saure destacou a fraca procura pelo matrimónio formal, o avanço das uniões de facto e a escassez de preparação espiritual de alguns casais. O líder religioso fez também menção à reflexão convocada pelo Papa Leão XIV a respeito do amor vivido nas famílias, considerando-o um desafio estrutural para o mundo contemporâneo.
“No nosso contexto, há pouca procura do matrimónio. Existem uniões de facto e pessoas que procuram o sacramento sem sequer se prepararem espiritualmente. Não é porque a Igreja não tenha um percurso pensado, mas estamos a viver um momento de diferentes crises, e uma delas pode ser precisamente a exclusão do matrimónio”, explicou o arcebispo.
O prelado referiu ainda o surgimento de diferentes configurações familiares, como o crescimento de lares monoparentais, exigindo respostas adaptadas da ação pastoral. Em relação à doutrina católica sobre o casamento, reiterou que o matrimónio é concebido como uma união indissolúvel. No entanto, esclareceu que, nos casos em que se verifica que o casamento não cumpriu os requisitos formais de validade, a Igreja prevê mecanismos de declaração de nulidade matrimonial, diferenciando-se rigorosamente do divórcio civil.
“A Igreja não faz divórcio. Quando há um casamento validamente celebrado, ele mantém-se. Nos casos em que não houve preparação adequada ou em que se verificam condições que comprometem a validade do matrimónio, pode haver uma declaração de nulidade”, esclareceu.