O défice da balança comercial de Cabo Verde registou um agravamento acentuado de 255,5% no terceiro trimestre de 2026 em comparação com o período homólogo de 2025. O saldo negativo no comércio externo do arquipélago subiu de 447 milhões de euros para 1,6 mil milhões de euros, impulsionado por uma operação de importação extraordinária no setor aeronáutico.
Aquisição de Motores Altera Contas Externas
O forte crescimento do défice foi fortemente influenciado pela categoria de “reatores e caldeiras”, que concentrou 66,4% do valor total das importações efetuadas pelo país no período. A subida expressiva nesta rubrica decorreu da importação pontual de motores de pistão alternativo ou rotativo destinados à aviação, com origem em Portugal.
Tratou-se de uma aquisição específica de equipamentos pesados, pelo que o desempenho registado nesta categoria não reflete uma tendência estrutural ou generalizada de aumento de importações deste tipo de materiais para a economia nacional.
Estrutura das Importações e Principais Parceiros
No conjunto das compras ao exterior durante o terceiro trimestre, os combustíveis surgem como o segundo produto mais importado, representando 17,1% do total, seguidos pelos veículos automóveis, com 1,8% de quota.
Portugal consolidou o seu estatuto de principal parceiro comercial de Cabo Verde, mantendo-se como a origem de praticamente três quartos de todas as mercadorias importadas pelo arquipélago.
Exportações Mantêm Tendência Positiva
No prato oposto da balança, as exportações cabo-verdianas registaram um crescimento de 11,8% no mesmo período. Apesar da evolução favorável, o volume financeiro gerado com as vendas ao exterior cifrou-se em 24 milhões de euros.
O continente europeu permanece como o destino fundamental das vendas externas de Cabo Verde, mantendo o pescado e a indústria de conservas na liderança dos produtos exportados pelo país.