Corrupção provocou prejuízos de 3,2 mil milhões de meticais ao Estado no primeiro semestre
A corrupção provocou prejuízos superiores a 3,2 mil milhões de meticais aos cofres do Estado moçambicano durante o primeiro semestre de 2026. Os dados foram apresentados esta terça-feira, em Maputo, pelo Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC), durante o balanço das actividades da instituição.
De acordo com o porta-voz do GCCC, Romualdo Johnam, o Ministério Público tramitou 1.646 processos relacionados com crimes de corrupção entre Janeiro e Junho, o que representa um incremento de 137 casos comparativamente ao mesmo período do ano anterior. Do total de processos instaurados, 1.559 foram concluídos, resultando em 368 acusações e 191 arquivamentos por falta de provas.
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Entre as infracções mais recorrentes sobressaem a corrupção passiva para acto ilícito, com 306 processos, o abuso de cargo ou função, com 144, e a corrupção activa, que somou 103 casos. Foram ainda registados ilícitos de simulação de competências, peculato e branqueamento de capitais.
Entre os processos de maior relevância social e criminal, destaca-se a detenção de agentes do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) e da Polícia da República de Moçambique (PRM) envolvidos em extorsões e prisões ilegais na Cidade de Maputo e na província de Manica. Na área da educação, no distrito de Mecubúri, província de Nampula, 143 arguidos — incluindo 131 professores — foram acusados do desvio de cerca de 1,84 milhões de meticais do programa de Apoio Directo às Escolas (ADE).
No sector da saúde, profissionais do Hospital Rural de Vilankulo, em Inhambane, foram julgados e condenados por condicionarem a assistência médica de emergência ao pagamento de quantias ilícitas. Em termos de ressarcimento financeiro, as autoridades conseguiram apreender 581.130,7 meticais, valor que corresponde a escassos 0,02% do montante total de 3.234.987.641,56 meticais subtraídos do erário público, reflectindo os desafios contínuos no combate à corrupção no país.
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