Quarta-feira, 05 de Agosto de 2026 | Maputo, Moçambique
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Inteligência artificial impulsiona mais de metade dos crimes cibernéticos em África

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A utilização da inteligência artificial já está associada a 55% dos casos de cibercrime registados no continente africano. Esta tecnologia torna os ataques cibernéticos substancialmente mais rápidos, massivos e difíceis de detetar pelas autoridades locais.

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Consequentemente, as perdas financeiras associadas a estas fraudes aumentaram de forma drástica. O montante total subiu de 192 milhões de dólares para 484 milhões de dólares num curto período.

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A industrialização do crime digital em África

O crescimento do ecossistema digital africano é notável. Em 2025, o continente registou mais de 1,1 mil milhões de assinantes de serviços móveis. Contudo, este avanço acelerado expõe falhas graves na protecção de dados.

Atualmente, a criminalidade na internet deixou de ser um fenómeno isolado. O setor transformou-se numa indústria organizada e sem fronteiras geográficas. Além disso, 72% dos países inquiridos relataram a presença de centros especializados em burlas digitais.

As dinâmicas criminais variam conforme a região do continente. A África Oriental concentra fraudes na carteira móvel e ataques de resgate a infraestruturas. Por outro lado, a África Ocidental e Central destacam-se pelo engano corporativo e fraudes sentimentais. Na África Austral, a elevada conectividade atrai redes internacionais que procuram causar grandes interrupções.

Identidades sintéticas e redes sofisticadas

Os criminosos utilizam agora a tecnologia para criar identidades completamente sintéticas. Para o efeito, combinam dados reais de cidadãos com elementos gerados por computador. Esta técnica permite ultrapassar sistemas avançados de verificação biométrica.

Desta forma, os suspeitos conseguem abrir contas bancárias fraudulentas, obter empréstimos e registar cartões SIM falsos. Paralelamente, foram registadas cerca de 600 mil ocorrências de chantagem sexual digital com recurso a conteúdos audiovisuais manipulados.

A ausência de partilha de dados em tempo real entre bancos, operadoras e autoridades agrava a vulnerabilidade do sistema. Portanto, este cenário dificulta a resposta imediata das forças de segurança.

Operações policiais e respostas legislativas

Apesar dos desafios na área da segurança digital, vários países africanos estão a reforçar as suas defesas jurídicas. Em 2025, exatamente 17 nações aprovaram ou atualizaram leis específicas contra a criminalidade cibernética.

Ao mesmo tempo, acções policiais coordenadas a nível regional alcançaram resultados expressivos. Quatro grandes operações internacionais resultaram na detenção de mais de 1.500 indivíduos e na apreensão de centenas de dispositivos.

Ademais, estas intervenções permitiram recuperar mais de 100 milhões de dólares roubados. Peritos recomendam agora o investimento urgente na formação tecnológica dos agentes e no fortalecimento de parcerias entre o setor público e privado.

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