O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) defendeu, esta quarta-feira, 4 de Novembro, em Maputo, a urgência de reforçar os mecanismos de mitigação de riscos nos investimentos em infra-estruturas. A estratégia visa estimular uma maior participação do capital privado e, em simultâneo, reduzir a dependência dos recursos financeiros do Estado moçambicano.
A posição foi apresentada pelo economista principal da instituição financeira em Moçambique, Flávio Soares da Gama, durante a sua intervenção na primeira edição do Fórum e Exposição de Investimento em Transportes e Logística de Moçambique (TRANS-LOG MOZ 2026). Na ocasião, o especialista ressaltou que a sustentabilidade e a viabilidade dos projectos dependem de três pilares fundamentais: a preparação estruturada das propostas, a repartição adequada dos riscos e a adopção de instrumentos de financiamento capazes de mobilizar capitais privados.
Preparação técnica e instrumentos de garantia
Segundo Soares da Gama, a atracção de investidores privados exige que os empreendimentos disponham de bases técnicas, financeiras e ambientais sólidas. O economista enfatizou a necessidade de realizar estudos aprofundados de engenharia e viabilidade, sublinhando que as concessões e parcerias público-privadas necessitam de roteiros claros para o seu desenvolvimento.
Além da fase preparatória, o responsável destacou a relevância de mecanismos destinados a proteger os investidores contra imprevistos que possam comprometer os projectos. Entre os instrumentos disponibilizados pelo BAD, destacam-se as garantias parciais de risco, concebidas para salvaguardar os privados em situações de incumprimento, alterações políticas ou riscos regulatórios.
Modelos de co-financiamento e o Corredor de Nacala
Paralelamente às garantias de crédito para mitigar o não cumprimento de obrigações financeiras, a instituição advoga o uso de financiamento combinado (blended finance) e de co-financiamento. Esta abordagem possibilita reunir capitais de múltiplos parceiros internacionais em torno de infra-estruturas estratégicas.
Como exemplo prático dessa sinergia financeira, Soares da Gama citou a terceira fase do projecto de Nacala, iniciativa que junta a Agência Japonesa de Cooperação Internacional (JICA), o Governo moçambicano e o BAD. O economista reiterou que o papel do banco vai além da concessão directa de fundos, actuando activamente no apoio à estruturação e mobilização de recursos globais.
Debate sobre a integração e logística regional
As declarações integraram o painel “Gateway Moçambique: Oportunidades Financiáveis em Portos, Transporte Marítimo e Corredores”, moderado por Pedro Couto, da Couto Graça e Associados. O debate contou igualmente com a participação de Mónica Temporário, presidente da Women in Logistics Mozambique (WILA) e directora comercial do Civitas Partners Group; Onório Manuel, director executivo da MozParks; e Mohammed Mesbahi, director de desenvolvimento de negócios da Tanger Med Engineering, de Marrocos.
Sobre o evento TRANS-LOG MOZ 2026
A decorrer nos dias 4 e 5 de Novembro no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, a edição inaugural do TRANS-LOG MOZ 2026 junta governantes da África Austral, investidores, entidades financeiras e operadores do sector. O encontro é dedicado a debater oportunidades de investimento, modernização de portos, ferrovias e estradas, além de estratégias para eliminar barreiras comerciais e aumentar a competitividade e integração económica de Moçambique na região.