Ataques terroristas em áreas de conservação ameaçam desenvolvimento comunitário em Moçambique
Os ataques terroristas registados em diversas regiões do país estão a comprometer seriamente o desempenho das áreas de conservação e a colocar em causa várias iniciativas voltadas para o impacto económico e social das populações locais. A preocupação foi expressa durante a apresentação dos resultados de um programa de promoção da biodiversidade implementado ao longo dos últimos dez anos pela organização Biofund.
A recorrência de acções violentas, como a recente investida ocorrida na zona-tampão da Reserva Especial do Niassa a 3 de Setembro, tem gerado apreensão entre os gestores do sector. De acordo com os administradores das reservas, o clima de insegurança condiciona o trabalho de fiscalização, desencoraja o investimento nas cadeias de valor e afasta os residentes dos projectos de desenvolvimento comunitário.
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O Administrador da Reserva Nacional do Gilé, João Muchanga, destacou que o surgimento de conflitos armados nessas zonas representa um retrocesso significativo, criando receio tanto nas comunidades como nas equipas de gestão e fiscalização encarregues de proteger o ecossistema.
Apesar dos desafios de segurança, o balanço da última década revelou avanços no sector, incluindo a abertura de 65 quilómetros de picadas no Parque Nacional do Gilé, o repovoamento da fauna com a translocação de 200 búfalos e a instalação de sistemas de monitoria ecológica via satélite e rádio. O Director-Geral da Biofund, Luís Bernardo Honwana, salientou ainda a formalização do Monte Mabo como área de conservação comunitária.
Por seu turno, os parceiros internacionais, através da representante da União Europeia, Anne-Ael Pohu, reafirmaram a continuidade do apoio financeiro e técnico, enfatizando a necessidade de articular a protecção ambiental com o progresso económico local e o envolvimento directo do sector privado.
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