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Economia

AfCRA Avança nas Negociações com 15 Países Africanos para Lançar Primeiras Notações Financeiras até 2027

A Agência Africana de Notação de Crédito prevê divulgar as suas primeiras avaliações de risco soberano até Março de 2027, visando oferecer uma alternativa às multinacionais do sector.
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A Agência Africana de Notação de Crédito (AfCRA) encontra-se em fase adiantada de negociações com 15 países do continente, prevendo a publicação das suas primeiras avaliações de risco soberano até ao final de Março de 2027. A iniciativa visa estruturar uma alternativa direta às três maiores agências internacionais de classificação financeira.

A instituição, com sede nas Maurícias, já tem equipas mobilizadas para realizar trabalhos de campo e pesquisa em nações como Togo, Quénia, Seicheles, Burundi e Maurícias, sob a liderança do director-executivo interino Sifiso Falala, com vista a disponibilizar as notações preliminares antes do encerramento do primeiro trimestre de 2027.

Alternativa às Agências Globais e Impacto nos Custos da Dívida

Concebida no âmbito de uma estratégia da União Africana lançada em 2018, a AfCRA procura introduzir uma perspetiva regional na medição da capacidade de pagamento dos Estados continentais. As avaliações soberanas serão efetuadas a pedido dos respetivos Governos, que suportarão o custo dos serviços e garantirão acesso aos dados financeiros oficiais. O plano de atuação abrange ainda bancos multilaterais africanos, com destaque para o Afreximbank, e entidades financeiras privadas.

A criação da agência surge num contexto de prolongado debate sobre os critérios aplicados pelas dominantes S&P Global Ratings, Moody’s e Fitch. Lideranças do continente apontam que estas entidades tendem a sobrestimar o risco de crédito na região e a efetuar desvalorizações aceleradas em fases de instabilidade, embora análises de mercado sobre a crise da dívida em 2024 não tenham evidenciado um enviesamento sistémico formal.

A atribuição de classificações desfavoráveis tem elevado substancialmente os custos de financiamento dos países africanos. Estimativas indicam que as economias do continente suportam um encargo adicional anual de 75 mil milhões de dólares em juros face a outros mutuários internacionais. Atualmente, o volume total da dívida africana atinge perto de 1,9 biliões de dólares, com os encargos anuais do serviço da dívida externa a escalarem de 61 mil milhões de dólares em 2010 para 163 mil milhões de dólares em 2024.

Modelo de Negócio e Estrutura Acionista

Diante deste cenário, a AfCRA aposta na elaboração de diagnósticos pautados por dados locais, reduzindo a dependência em relação às análises de organismos internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI). De cariz estritamente privado e sem participação pública no seu capital, a agência é detida pela Plus 94 Research, empresa sul-africana de investigação fundada por Sifiso Falala e Tirhani Mabunda.

Em termos de consolidação financeira, a instituição projeta a captação de 15 milhões de dólares através da emissão de ações, visando assegurar que investidores africanos detenham dois terços do capital. Paralelamente, concluiu a aquisição de uma participação de 51% na Sovereign Africa Ratings, agência sul-africana de notação financeira também fundada e dirigida por Sifiso Falala.

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Chipindo

Redação: Chipindo

Jornalista e redator no portal Radar Nacional (rn.co.mz), cobrindo as principais atualidades de Moçambique e do mundo.

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