O Executivo moçambicano anunciou que estão em curso os trabalhos para a instalação de oito novos postos de abastecimento de gás natural veicular (GNV), com entrada em funcionamento agendada para 2027, distribuídos pelas províncias de Maputo, Gaza e Inhambane. A medida insere-se na estratégia nacional para massificar a utilização do gás natural, visando mitigar gradualmente a dependência dos combustíveis líquidos importados e reforçar a segurança energética do país.
A garantia foi prestada na Assembleia da República, em Maputo, pelo ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estevão Pale, durante a sessão de respostas às questões colocadas pela bancada parlamentar do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) sobre as acções em curso para diversificar as fontes de energia no sector dos transportes.
Distribuição das Novas Infra-estruturas de Abastecimento
Segundo o detalhamento apresentado pelo governante, a implantação dos oito postos de abastecimento obedecerá a uma distribuição geográfica estratégica: três infra-estruturas serão localizadas na cidade e província de Maputo, duas na província de Gaza e três na província de Inhambane.
“Está em curso a instalação de três novos postos de abastecimento na cidade e província de Maputo, dois postos na província de Gaza e três postos na província de Inhambane. Estes oito postos deverão entrar em funcionamento em 2027”, confirmou Estevão Pale.
O projecto integra um programa estruturante focado na expansão e financiamento da rede de abastecimento de GNV. O plano visa criar a logística necessária para elevar o consumo deste recurso, com especial incidência no transporte público de passageiros, através do reforço de autocarros movidos a gás natural, reduzindo a vulnerabilidade da economia nacional frente às flutuações de preços no mercado petrolífero internacional.
Processamento Local e Redução de Importações
O ministro destacou que a valorização dos recursos naturais de Moçambique deve promover a industrialização interna e a incorporação de valor acrescentado. Neste contexto, lembrou a recente inauguração, realizada pelo Presidente da República, Daniel Chapo, de uma unidade de processamento integrado de gás natural no distrito de Inhassoro, província de Inhambane, ao abrigo do Acordo de Partilha de Produção (PSA).
Com capacidade para produzir até 30 mil toneladas anuais de gás de petróleo liquefeito (GPL), conhecido como gás de cozinha, a nova unidade tem o potencial de reduzir em cerca de 70% as importações nacionais deste produto, garantindo maior estabilidade no abastecimento do mercado interno.
Medidas Estruturantes e Fiscalização do Mercado
Apesar do avanço dos projectos infra-estruturais, a liderança do Ministério dos Recursos Minerais e Energia esclareceu que a transição para o gás natural não resolve de imediato os actuais desafios de abastecimento de combustíveis que afectam transportadores, agricultores, pescadores e o tecido empresarial.
“Importa, contudo, esclarecer que estas alternativas não resolvem imediatamente os actuais constrangimentos do abastecimento. São medidas estruturantes para reduzir a vulnerabilidade energética do país”, explicou o ministro.
Para dar resposta à conjuntura actual, o Governo mantém acções focadas na regularização das importações, contenção de impactos financeiros sobre os consumidores e reforço da fiscalização para combater o desvio ilegal de combustíveis, o mercado paralelo e a especulação de preços no país.