O combate à inflação em Angola registou avanços significativos que abrem espaço para uma flexibilização gradual da política monetária, ainda que o processo exija prudência. A garantia foi dada pelo governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Manuel Tiago Dias, na abertura da Conferência Internacional sobre Desinflação Sustentável e Credibilidade da Política Monetária, realizada na sexta-feira (30), em Luanda, no âmbito das comemorações dos 50 anos da instituição bancária central.
Segundo o responsável da autoridade monetária, a trajectória consistente de desaceleração dos preços permitiu iniciar, com cautela, a redução do aperto monetário, mantendo contudo a taxa de juro real em níveis positivos.
“A batalha da inflação ainda não está ganha, mas está suficientemente consolidada para permitir a flexibilização da política monetária”, declarou Manuel Tiago Dias, sublinhando que os resultados alcançados decorrem de uma condução rigorosa da política monetária e de uma estratégia de comunicação focada na ancoragem das expectativas do mercado.
Tendência de Queda da Inflação e Projecções Económicas
Durante a sua intervenção, o governador detalhou a evolução dos indicadores económicos, lembrando que a inflação homóloga recuou de 27,5% em 2024 para 15,7% em Dezembro de 2025. O movimento de abrandamento manteve-se ao longo dos meses seguintes, permitindo que a taxa regressasse a um único dígito a partir do mês de Julho.
Em Setembro, a inflação fixou-se em 8,43%, valor que compara favoravelmente com os 18,16% registados no mesmo período do ano anterior. Para o encerramento do ano de 2026, o BNA prevê a consolidação da taxa em torno de 8%.
A par do controlo dos preços, o Comité de Política Monetária (CPM) procedeu à revisão em alta da projecção de crescimento económico para 2026, fixando-a em 6,15%. Não obstante este cenário positivo, Manuel Tiago Dias ressaltou que o principal desafio de Angola reside em assegurar que a expansão da economia ocorra de forma sustentável, produtiva e com capacidade para gerar emprego.
Desafios do Sector Bancário e Financiamento da Economia
Reforço do crédito e inclusão financeira
No âmbito da arquitectura financeira do país, que conta actualmente com 22 bancos comerciais em operação, o governador defendeu a necessidade de a banca reforçar o seu papel na concessão de crédito à economia real. O objectivo é canalizar recursos para sectores estratégicos sem comprometer a qualidade dos activos ou a estabilidade do sistema.
Entre as metas prioritárias para o sector bancário, foram destacadas a consolidação da inflação em patamares de um dígito, a aceleração da diversificação económica, o aprofundamento dos mercados cambial, monetário e de capitais, a reconstrução dos amortecedores macroeconómicos e a ampliação da inclusão financeira.
Manuel Tiago Dias salientou ainda a importância de acompanhar a inovação tecnológica com uma supervisão financeira adequada e de apostar continuamente na valorização dos recursos humanos do BNA. Ao assinalar os 50 anos do banco central, o governador concluiu que a preservação da soberania monetária exige um empenho permanente pautado pelo rigor, responsabilidade e confiança.