A vaga de vendas massivas nas bolsas mundiais alastrou-se com intensidade à Ásia esta sexta-feira, com o índice de referência da região a registar a sua maior queda diária em mais de um ano. O movimento reflete a recente apreensão dos investidores quanto à possibilidade de os Estados Unidos da América endurecerem a regulação sobre o sector da inteligência artificial, após a vitória dos Democratas nas eleições intercalares do país.
Tombo Generalizado nas Bolsas Asiáticas
No Japão, o índice Nikkei desvalorizou 5,96%, enquanto o Topix recuou 5,90%. Na China, o Hang Seng de Hong Kong cedeu 1,30% e o Shanghai Composite caiu 1,10%. O índice TWSE de Taiwan registou uma descida de 4,51%, ao passo que o Kospi da Coreia do Sul afundou 6,02%.
O índice regional MSCI Asia-Pacific tombou 4,1%, marcando a sua descida diária mais acentuada desde abril de 2025. Na Coreia do Sul, o Kospi chegou a registar perdas temporárias de 8,8%, o que forçou uma interrupção temporária das negociações. No sector tecnológico sul-coreano, as acções da Samsung Electronics caíram mais de 6% e as da SK Hynix recuaram mais de 13%.
Correções Técnicas e Bear Market
Com este cenário de forte pressão vendedora, o principal índice de Taiwan entrou em território de correção técnica, acumulando uma perda superior a 10% em relação ao seu último máximo histórico. Por sua vez, o Nikkei do Japão passou a ser transaccionado em território de “bear market”, registando uma quebra superior a 20% face ao recorde fixado em junho.
Especialistas de mercado apontam que os activos da região asiática, que vinham demonstrando alguma resiliência suportada pela cadeia de valor da inteligência artificial e pelo desempenho de fabricantes de semicondutores como a TSMC, acabaram por ceder à pressão global com o recuo de cerca de 5% nas acções da gigante dos chips.
Medidas de Estabilização e Impacto no Mercado de Dívida
Frente à volatilidade extrema, as autoridades financeiras da região começaram a anunciar intervenções de emergência. A Coreia do Sul comunicou a suspensão temporária da norma que exige às corretoras a manutenção de garantias equivalentes a pelo menos 140% do valor dos empréstimos concedidos para investimento em acções, visando travar vendas forçadas na bolsa.
Em Taiwan, a Comissão de Supervisão Financeira também preparou medidas de estabilização do mercado para conter o pânico de vendas.
Entretanto, no mercado de dívida sovereign, o rendimento das obrigações do Governo chinês a 10 anos caiu para um mínimo histórico durante a sessão, impulsionado por um ambiente de elevada liquidez e por uma busca acrescida dos investidores por activos considerados de refúgio.
Turbulência Originada em Wall Street
A agitação nos mercados internacionais surge após dias de forte instabilidade em Wall Street. Numa fase inicial, o mercado reagiu com optimismo à expetativa de que o resultado das eleições intercalares nos EUA pudesse acelerar o fim do conflito no Irão. Contudo, essa perspetiva foi rapidamente ultrapassada pelo receio de um aperto regulatório sobre o sector dos centros de dados e da inteligência artificial.
O índice Philadelphia Semiconductor caiu quase 16%, caminhando para a sua pior semana desde abril de 2025. Na sessão de quinta-feira, o S&P 500 recuou 4,4% — o seu pior desempenho diário desde a crise das tarifas em abril de 2025 —, enquanto o Nasdaq 100 desvalorizou 6,4%, eliminando aproximadamente 2,3 triliões de dólares em capitalização de mercado.