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Sociedade

Ataques Extremistas em Muidumbe Ameaçam Produção Agrícola e Provocam Novas Deslocações em Cabo Delgado

A insurgência no distrito de Muidumbe intensificou-se com novos homicídios e raptos, colocando em risco a produção de alimentos e forçando mais de mil pessoas a abandonar as suas residências.
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O Governo confirmou a ocorrência de uma nova vaga de ataques, raptos e homicídios perpetrados por grupos extremistas em várias aldeias do distrito de Muidumbe, localizado na província de Cabo Delgado. A escalada da violência volta a colocar em alerta as autoridades locais, que reconhecem que o clima de Insegurança pode comprometer seriamente a produção agrícola na região.

Impacto Directo no Sector Agrícola

O secretário de Estado em Cabo Delgado, Plácido Nerino Pereira, alertou que as acções dos grupos armados ameaçam directamente os trabalhos nos campos, dado que várias das áreas visadas pelos ataques estavam identificadas para a produção de volumes consideráveis de alimentos indispensáveis para o abastecimento populacional.

Apesar do recrudescimento dos incidentes violentos, o governante assinalou que o panorama geral de segurança regista melhorias quando comparado com a situação vivida nos últimos dois a três anos, ainda que tenha admitido abertamente que a ameaça terrorista continua activa e a exigir vigilância constante.

Fuga Massiva e Crise de Deslocados

A recente vaga de instabilidade provocou um novo fluxo de deslocações populacionais. Entre os dias 14 e 27 de Outubro, pelo menos 1.235 pessoas, correspondentes a 316 agregados familiares, viram-se forçadas a abandonar os seus lares por receio de investidas armadas.

De acordo com dados do mecanismo de monitorização de deslocações de emergência da Organização Internacional para as Migrações (OIM), as movimentações de populações em busca de refúgio concentraram-se essencialmente nos distritos de Mocímboa da Praia, Macomia, Muidumbe e Meluco.

Nove Anos de Conflito e Agravamento dos Incidentes

A província de Cabo Delgado, reconhecida pelas suas vastas reservas de gás natural, enfrenta a violência armada desde 2017. Ao longo de nove anos de conflito, a crise humanitária já provocou a morte de mais de 6.600 pessoas e forçou a deslocação de mais de 1,3 milhão de habitantes, segundo os registos compilados por organizações internacionais.

A deterioração da segurança continua a impor fortes restrições à estabilidade e ao desenvolvimento económico regional. No primeiro semestre de 2026, os incidentes associados ao conflito registaram um aumento de 10% em comparação com o mesmo período de 2025.

O relatório Moçambique: O custo da inacção, publicado em Setembro pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), contabilizou mais de 400 incidentes violentos nos primeiros seis meses do ano, sublinhando a urgência de respostas eficazes para travar a crise na região.

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Chipindo

Redação: Chipindo

Jornalista e redator no portal Radar Nacional (rn.co.mz), cobrindo as principais atualidades de Moçambique e do mundo.

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