Moçambique e o Malawi estão a intensificar os mecanismos de coordenação no domínio da defesa e segurança com o objectivo de prevenir e combater ameaças transfronteiriças, visando assegurar a estabilidade regional e a protecção das populações em ambas as nações.
A estratégia conjunta está a ser consolidada na XVII Sessão da Comissão Conjunta Permanente de Defesa e Segurança (CCPDS), que decorre desde segunda-feira em Blantyre, no Malawi, reunindo representantes dos dois países para avaliar o estágio da cooperação bilateral e definir novas acções operacionais. O encontro encerra trabalhos esta quarta-feira.
Combate a Ameaças Transfronteiriças e Avaliação de Acordos
Entre as prioridades no centro das deliberações figuram o combate ao crime organizado, ao tráfico de pessoas e drogas, à imigração ilegal, ao contrabando e a outras práticas que comprometem a soberania dos Estados. A reunião serve também para monitorizar o cumprimento dos compromissos assumidos na sessão anterior, realizada em Maputo em Julho de 2025, com destaque para o intercâmbio de informações, patrulhas conjuntas e a realização de exercícios militares combinados.
Na abertura dos trabalhos, o Secretário Permanente do Ministério da Defesa Nacional de Moçambique, Casimiro Mueio, sublinhou a necessidade de acelerar a implementação das decisões prévias. Mueio destacou os progressos na disponibilização de vagas de formação militar entre as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) e as Forças de Defesa do Malawi, enfatizando a importância do reforço do controlo migratório e enaltecendo a cooperação na prevenção do tráfico humano e na localização de menores desaparecidos.
Actuação Conjunta Perante Desafios Regionais
Por sua vez, o Secretário Principal de Defesa do Malawi, Gift C. Dulla, defendeu uma actuação coordenada perante ameaças como o terrorismo, o tráfico de seres humanos, a mineração ilegal, o contrabando e o comércio ilegal de espécies selvagens. Dulla considerou que o diálogo contínuo e a partilha de inteligência são pilares fundamentais para encontrar respostas eficazes e garantir maior estabilidade na região.
Durante a sessão, os comités especializados de Defesa, Segurança Pública e Segurança do Estado debateram medidas destinadas a reforçar a vigilância e o controlo das fronteiras, aperfeiçoando os mecanismos de resposta a desafios de segurança cada vez mais complexos e interligados.
Desafios de uma Fronteira Extensa
Moçambique e o Malawi partilham uma extensão fronteiriça de quase 1.569 quilómetros, com ligações terrestres, lacustres e fluviais, circunstância que intensifica as relações económicas e sociais entre as populações. Esta vastidão geográfica exige mecanismos permanentes de vigilância, controlo e cooperação institucional para travar a criminalidade e, simultaneamente, facilitar a livre circulação legal de pessoas e mercadorias na África Austral.