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Sociedade

Alexandre Manguele Defende Diagnóstico Precoce do Cancro da Mama e Alerta Para Gargalos na Saúde

O médico e ex-ministro da Saúde, Alexandre Manguele, defendeu a urgência do diagnóstico precoce do cancro da mama e o combate ao estigma durante as Jornadas Científicas Estudantis da Universidade Politécnica.
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O médico e ex-ministro da Saúde, Alexandre Manguele, defendeu a necessidade premente de reforçar a consciencialização pública e melhorar o acesso ao diagnóstico precoce do cancro da mama, sublinhando que a detecção atempada é determinante para aumentar as taxas de sobrevivência e reduzir a mortalidade no país. A posição foi expressa no âmbito das Jornadas Científicas Estudantis da Universidade Politécnica, evento decorrido de 26 a 30 de Outubro.

Combate ao estigma e inclusão dos homens na prevenção

No contexto das actividades do “Outubro Rosa”, Manguele — que também exerceu o cargo de director-geral do Instituto Superior de Ciências de Saúde (ISCISA) — alertou para a urgência de combater a ignorância, o medo e o estigma que envolvem a doença. Segundo explicou, estes factores continuam a adiar a procura pelos serviços de saúde, comprometendo a identificação atempada e o início do tratamento adequado.

“Quanto mais cedo o cancro da mama for detectado e o tratamento iniciado, maiores são as probabilidades de cura. Quando a enfermidade é identificada numa fase inicial, a probabilidade de sucesso terapêutico é significativamente elevada”, afirmou Alexandre Manguele.

O médico esclareceu ainda que, embora o cancro da mama afecte predominantemente as mulheres, os homens também podem ser diagnosticados com a patologia. Por essa razão, enfatizou que as acções de informação sobre os factores de risco e os sinais de alerta devem ser direccionadas a toda a população de forma inclusiva.

Desafios de rastreio e capacidade de resposta

Entre os principais entraves ao controlo da doença, o antigo governante apontou a escassez de informação pública, o acesso limitado a cuidados especializados e a fragilidade dos mecanismos de rastreio e diagnóstico. Nesse sentido, defendeu a consolidação da educação para a saúde, o reforço da formação de profissionais e a criação de circuitos que permitam o encaminhamento célere dos casos suspeitos para avaliação especializada.

Manguele reforçou igualmente a importância de alinhar as campanhas de sensibilização com a capacidade real de resposta dos serviços de saúde, de modo a garantir que a identificação precoce corresponda, na prática, ao acesso atempado aos cuidados necessários.

Investigação científica na Universidade Politécnica

No plano académico, o antigo ministro destacou o papel fundamental das instituições de ensino superior na produção de conhecimento e na investigação científica virada para a resolução dos desafios de saúde pública.

Por seu turno, o reitor da Universidade Politécnica, Augusto Jone Luís, exortou estudantes e docentes a aumentarem o envolvimento na investigação científica e na publicação de trabalhos nas revistas académicas da instituição.

“Conferimos especial importância à investigação e pretendemos que os trabalhos desenvolvidos por estudantes e docentes sejam convertidos em artigos científicos e publicados nos nossos periódicos”, declarou Augusto Jone Luís, assinalando que o evento serviu para valorizar o conhecimento, promover a partilha de resultados de pesquisa e desenvolver competências científicas nos estudantes.

O encontro reuniu a comunidade académica proveniente das delegações da universidade em Maputo, Nampula, Quelimane, Tete e Nacala, além do Centro de Ensino Aberto e à Distância (CEAD) e da Escola de Pós-Graduação (EPG), combinando modalidades presenciais e virtuais.

Sob o tema “A Politécnica em Rede: Investigar, Partilhar, Transformar”, o programa de cinco dias incluiu debates sobre transformação digital, sustentabilidade, saúde e bem-estar, inovação, empreendedorismo, empregabilidade, ética e responsabilidade social corporativa.

Entre os destaques da programação figurou uma conferência orientada pelo técnico de primeiros socorros Simão Magaia, dedicada ao uso de uma aplicação da Cruz Vermelha no apoio ao socorro de doentes com Acidente Vascular Cerebral (AVC). A sessão abordou o reconhecimento dos sinais de alerta e os procedimentos a adoptar em emergências médicas, exemplificando a contribuição das ferramentas digitais na educação para a saúde.

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Chipindo

Redação: Chipindo

Jornalista e redator no portal Radar Nacional (rn.co.mz), cobrindo as principais atualidades de Moçambique e do mundo.

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