Moçambique assinala, esta segunda-feira, 19 de Outubro, o 40.º aniversário da morte do primeiro Presidente da República, Samora Machel. A efeméride volta a colocar em foco as circunstâncias não esclarecidas em torno do desastre aéreo ocorrido em Mbuzini, na África do Sul.
O actual Chefe do Estado moçambicano, Daniel Chapo, deslocou-se a Mbuzini para participar nas cerimónias comemorativas no local do impacto. Em simultâneo, na Praça dos Heróis, em Maputo, o antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, abordou o processo de averiguações e reiterou que as investigações sobre o desastre aéreo ainda não foram dadas por concluídas.
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O sinistro deu-se a 19 de Outubro de 1986, quando a aeronave presidencial Tupolev Tu-134 embateu numa zona montanhosa em território sul-africano, durante o regime do apartheid. Samora Machel regressava de uma cimeira em Lusaca, na Zâmbia, numa viagem que culminou com a perda de vidas do governante e de dezenas de membros da sua comitiva.
Nas últimas quatro décadas, diferentes comissões apresentaram conclusões divergentes. A comissão sul-africana Margo atribuiu a responsabilidade a falhas operacionais da tripulação, enquanto os peritos soviéticos apontaram para a emissão intencional de um falso sinal de rádio que teria desviado o avião do rumo previsto. Posteriormente, a Comissão da Verdade e Reconciliação da África do Sul concluiu não existirem provas materiais bastantes para atestar qualquer das teses, deixando em aberto a necessidade de apurar a verdade dos factos.
