Moçambique está a reforçar as suas acções para garantir a inclusão e a conectividade digital em todo o território nacional. Através da proposta da Estratégia Nacional “Internet para Todos” e da viabilização de novas tecnologias de comunicação por satélite, o país procura reduzir as assimetrias de acesso, beneficiando sobretudo as comunidades rurais e as zonas com menor cobertura de rede.
A proposta da Estratégia Nacional “Internet para Todos”, apresentada pelo Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM), visa coordenar a expansão das infra-estruturas de telecomunicações. A presidente do Conselho de Administração do INCM, Helena Fernandes, destacou que o plano não foca apenas na cobertura física, mas também na qualidade das ligações, custos dos serviços, acesso a equipamentos, segurança cibernética e literacia digital dos utilizadores.
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O documento, elaborado em parceria com o Governo, operadores, sector privado, academia e sociedade civil, conta com o apoio técnico da Global Digital Inclusion Partnership. Sónia Jorge, directora-executiva da organização, explicou que a estratégia servirá como um guia para colmatar as lacunas de conectividade, impulsionando sectores vitais como a saúde, educação, agricultura e o acesso a serviços públicos.
Como alternativa para as regiões de difícil acesso, o INCM realizou, a 6 de Outubro, em Maputo, um workshop focado em tecnologias emergentes de satélite, com o apoio da Commonwealth Telecommunications Organisation e da Viasat. O evento antecedeu a Reunião Ordinária do Comité de Comunicações Electrónicas da CRASA, realizada de 7 a 9 de Outubro. Entre os temas debatidos, destacou-se a tecnologia Direct-to-Device (D2D), que viabiliza a comunicação directa entre telemóveis e satélites em áreas sem cobertura convencional.
Dados da União Internacional das Telecomunicações (UIT) expõem o fosso digital no continente. Em 2025, estimava-se que apenas 35,7% da população africana utilizava a Internet, face a cerca de 75% a nível global. Em Moçambique, dados de 2024 indicam que, apesar de a cobertura móvel abranger 88% da população em 2G, 86% em 3G e 84% em 4G (com o 5G a atingir 10%), o nível de utilização efectiva permanece baixo, registando-se apenas cerca de 30 subscrições activas de banda larga móvel por cada 100 habitantes.
Para mitigar este cenário, o Banco Mundial apoia o Projecto de Aceleração Digital de Moçambique. Segundo uma avaliação de 2026, a iniciativa prevê levar conectividade de banda larga a 300 localidades anteriormente isoladas, beneficiando cerca de 5,2 milhões de pessoas e fornecendo internet a 1.000 escolas.
Segundo a imprensa local, as tecnologias de satélite de órbita terrestre baixa (LEO) deverão complementar as redes terrestres de fibra óptica, garantindo resiliência de rede durante calamidades naturais, como ciclones e cheias. Contudo, o porta-voz do INCM, Edmundo Alberto, sublinhou que o sucesso da transição dependerá de uma regulação regional harmonizada sobre o espectro e licenciamento, além da redução dos custos de equipamentos e energia.
