Quarta-feira, 05 de Agosto de 2026 | Maputo, Moçambique
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Medo do Ébola duplica mortes maternas no leste da República Democrática do Congo

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O receio de contágio e de quarentena forçada está a afastar as mulheres grávidas das unidades sanitárias no leste da República Democrática do Congo. Por causa disso, a taxa de mortalidade entre gestantes registou um aumento alarmante durante o actual surto de Ébola na região.

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Muitas grávidas abandonaram as consultas pré-natais por acreditarem que sintomas comuns, como a febre, levam ao isolamento imediato. Consequentemente, a procura por assistência médica nas clínicas locais sofreu uma queda drástica nos últimos meses.

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Estatísticas revelam impacto grave na saúde materna

Os dados oficiais mostram que a mortalidade materna quase duplicou na província de Ituri desde o início da epidemia em Maio. De facto, a média semanal de óbitos de gestantes subiu de 3,1 para 5,8 casos entre os meses de Maio e Julho.

Além disso, a percentagem de mortes ocorridas fora dos centros de saúde aumentou de 9,1% para 17,4%. Este cenário agrava ainda mais a crise num país que já registou mais de 1.600 vítimas mortais devido ao vírus do Ébola.

Desinformação e pressão sobre o sistema sanitário

A desinformação espalha rumores e faz com que a população evite o acompanhamento clínico. Por exemplo, numa unidade de saúde na cidade de Bunia, os registos mensais de pré-natal desceram de 60 para apenas 10 pacientes.

Entretanto, a epidemia sobrecarregou gravemente o frágil sistema sanitário congolês. Os profissionais e os recursos foram canalizados para conter o surto, prejudicando a oferta de cuidados de saúde básicos às mulheres em estado de gestação.

Ataques a equipas médicas e salários em atraso

A crise de saúde pública agrava-se com a falta de pagamento aos profissionais da linha da frente. Paralelamente, as autoridades registaram pelo menos 12 ataques violentos contra equipas sanitárias desde o meio de Maio.

Em suma, especialistas alertam que muitas mulheres correm o risco de perder a vida não devido ao vírus, mas sim pela falta de acesso a serviços hospitalares seguros e essenciais.

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