Quarta-feira, 05 de Agosto de 2026 | Maputo, Moçambique
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Défice logístico e estradas precárias travam potencial agrícola do Niassa

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O Governo de Moçambique reconheceu publicamente que as deficiências nas vias de transporte e na rede logística continuam a bloquear o pleno desenvolvimento agrário da província do Niassa. Apesar deste cenário adverso, a região mantém uma capacidade comprovada para abastecer o mercado nacional e os países vizinhos.

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Esta avaliação surgiu durante um debate de trabalho entre o ministro da Agricultura, Roberto Mito Albino, e diversos representantes do sector privado local. O encontro serviu para analisar as barreiras directas que impedem a evolução da produção agrícola para uma cadeia de valor altamente rentável.

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Desafios logísticos no escoamento de produtos

O representante do Conselho Empresarial Provincial do Niassa, Alberto Soares, enfatizou que a província já possui uma estrutura produtiva sólida. Esta base integra pequenos agricultores familiares, médios produtores e empresas comerciais com capacidade de fornecimento em grande escala.

Além disso, Alberto Soares lembrou que os agricultores locais já exportam milho e feijão para a Tanzânia e o Maláui. No entanto, o mau estado das estradas secundárias e terciárias impede o crescimento contínuo do sector produtivo.

Por conseguinte, o escoamento das colheitas a partir das zonas rurais torna-se extremamente difícil. As vias intransitáveis elevam os custos de transporte, provocam a escassez de alimentos e encarecem os preços finais nos centros urbanos.

Impacto na cadeia de valor e investimento

Segundo o empresariado local, a reabilitação urgente das infra-estruturas rodoviárias é a chave para dinamizar a economia regional. Vias transitáveis vão facilitar a movimentação de cargas, expandir a frota dos transportadores e aumentar os rendimentos dos produtores.

Por sua vez, o ministro Roberto Mito Albino concordou com as preocupações apresentadas. O governante reafirmou que a eficiência logística é indispensável para transformar a província num verdadeiro pólo agrário nacional.

Portanto, o Executivo pretende colaborar directamente com os agentes económicos do terreno. O objectivo principal consiste em definir prioridades conjuntas com quem vivencia os problemas diariamente.

Estratégias de expansão e capacitação técnica

Actualmente, o plano do Ministério da Agricultura para o Niassa assenta em três pilares estratégicos: fortalecer a agricultura familiar, impulsionar a produção comercial e dinamizar o sector virado à exportação.

No âmbito do comércio externo, o Governo destaca o enorme potencial de culturas como a macadâmia, a castanha de caju, o eucalipto, o gergelim, a soja e o feijão-bóer.

Além disso, o ministro defende a criação de blocos de produção integrados por cooperativas, empresas e jovens empreendedores. Esta medida pretende elevar o volume produzido e facilitar a integração dos jovens no mercado produtivo.

Por fim, o Executivo planeia reabilitar os centros locais de formação agrária. O fortalecimento do ensino técnico em mecanização e irrigação é fundamental, pois não existe transformação agrária sem mão-de-obra qualificada.

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