Quinta-feira, 06 de Agosto de 2026 | Maputo, Moçambique
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Chapeiros e passageiros enfrentam receios nas rotas para a África do Sul

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Sociedade
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A recente onda de violência na África do Sul reduziu significativamente o movimento de viaturas no terminal interprovincial da capital moçambicana. Muitos motoristas enfrentam escassez de viajantes para o país vizinho. Contudo, a necessidade urgente de sustentar as suas famílias força os operadores a manterem a atividade diariamente.

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Celso Jotal opera na rota entre Maputo e Durban há mais de quinze anos. O condutor de 50 anos relata que as minivans partem agora com pouquíssima lotação. Anteriormente, as viaturas transportavam até quinze pessoas por viagem de forma regular.

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Atualmente, escasseiam os cidadãos que decidem viajar para o território sul-africano. Em contrapartida, o fluxo no sentido inverso regista um aumento expressivo de pessoas a regressar a Moçambique.

Insegurança constante na travessia das fronteiras

A distância de cerca de 550 quilómetros para Durban é percorrida muitas vezes com apenas quatro ocupantes a bordo. Além disso, o clima de apreensão domina todo o setor do transporte rodoviário. Os condutores relatam episódios de agressões sofridas no país vizinho durante o reabastecimento dos veículos.

No entanto, o receio de novos ataques não impede o trabalho diário destes profissionais. A ausência de rendimentos alternativos em solo nacional obriga os transportadores a assumirem riscos para garantir a subsistência dos seus dependentes.

Na ligação para Joanesburgo, a realidade apresenta-se bastante idêntica. Os operadores dessa rota de 545 quilómetros cobram 1.500 rands por viagem. Contudo, a procura diminuiu substancialmente devido às recentes invasões e saques registados em várias comunidades.

A vaga de hostilidade contra migrantes africanos provocou a morte de pelo menos onze cidadãos moçambicanos. Consequentemente, milhares de pessoas abandonaram os seus negócios e habitações para salvarem as próprias vidas.

Reorganização das operadoras e regresso de migrantes

Diante deste cenário, as associações de transportadores reajustaram o funcionamento operacional no terminal. As equipas partilham agora os passageiros disponíveis entre as viaturas para viabilizar as deslocações diárias.

O presidente da Associação do Transporte Associado Moçambique-África do Sul (Mozata), Frederico Lopes, esclarece que o setor reagiu com flexibilidade. A experiência adquirida em épocas de ponta facilitou a gestão do elevado fluxo de pessoas que procuram regressar ao território moçambicano.

Informações oficiais indicam que cerca de 1.500 moçambicanos receberam apoio das autoridades para o repatriamento. Do mesmo modo, uma grande quantidade de cidadãos regressou por meios próprios para províncias como Gaza e Manica.

Apesar dos perigos evidentes, alguns cidadãos optam por voltar à África do Sul após tratarem da documentação necessária em Maputo. Vários trabalhadores alegam motivos económicos e compromissos familiares urgentes para assumirem o risco do regresso.

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