Economia

Governo volta a não cobrar crédito mal-parado do extinto Banco Austral

PUBLICADO A 04 DE SET, 2026 | POR CHIPINDO
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Pelo terceiro ano consecutivo, o Executivo moçambicano não efetuou qualquer cobrança de valores referentes ao crédito mal-parado do extinto Banco Austral. Esta responsabilidade foi assumida formalmente pelo Estado em Julho de 2002, mas os dados do Balanço do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) referentes ao primeiro semestre de 2026 demonstram a ausência de novas recuperações de capital.

Desde que o Estado assumiu a gestão do processo de cobrança, foram reavidos 967 milhões de Meticais, valor que corresponde a 76,5% do total de 1.263,9 milhões de Meticais pendentes. Do montante global recuperado, 646 milhões de Meticais foram cobrados pela própria instituição do Banco Austral antes da sua extinção, cabendo ao Estado a recuperação de apenas 322 milhões de Meticais.

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O desempenho das cobranças estagnou nos últimos anos. Entre 2020 e o primeiro semestre de 2026, o Estado recuperou apenas 11,98 milhões de Meticais. Nos exercícios de 2022, 2024, 2025 e nos primeiros seis meses de 2026, o valor arrecadado foi nulo. A maior parte do montante foi reavida entre 2002 e 2008, período em que se cobraram 620 milhões de Meticais, seguido pelo biénio 2009-2010, com 148 milhões de Meticais recuperados.

O Banco Austral resultou da privatização, em 1996, do antigo Banco Popular de Desenvolvimento (BPD), tendo entrado em crise de liquidez 18 meses após a operação. Uma auditoria realizada no ano 2000 a pedido do Banco de Moçambique concluiu que a instituição acumulava um volume elevado de empréstimos concedidos sem garantias e em situação de incumprimento prolongado, exigindo na altura uma recapitalização de 150 milhões de dólares para viabilizar uma nova alienação.

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