O Governo de Moçambique está a levar a cabo uma ofensiva diplomática em Bruxelas para assegurar a continuidade do apoio da União Europeia em Cabo Delgado. A actual missão de formação militar, liderada por Portugal, tem o seu término previsto para o dia 30 de Junho de 2026, o que coloca sob pressão a capacidade de resposta das Forças de Defesa e Segurança (FDS) no Norte do país.
Negociações Cruciais na Sede da União Europeia
A Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria dos Santos Lucas, sublinhou que a visita do Presidente Daniel Chapo à Bélgica é o momento certo para solicitar a renovação da missão. No entanto, o desafio é duplo. Por um lado, Moçambique necessita dos 14 milhões de euros anuais destinados à capacitação militar. Por outro lado, o país enfrenta o fim iminente do financiamento europeu às tropas ruandesas em Cabo Delgado, previsto para Maio.
Consequentemente, a manutenção deste apoio é vista como essencial para evitar retrocessos no combate aos grupos armados. De acordo com as autoridades, a estabilidade na província de Cabo Delgado depende directamente da qualidade da formação das forças locais, que têm sido treinadas sob padrões europeus para enfrentar a ameaça terrorista de forma mais eficaz.
Além da Segurança: Investimento e Desenvolvimento
Apesar do foco militar, a agenda em Bruxelas abrange também a vertente económica. Atualmente, o apoio da União Europeia em Cabo Delgado e no resto do país para projectos de desenvolvimento ultrapassa os 700 milhões de euros. O objectivo do Governo é garantir que o país continue a ser uma prioridade absoluta no orçamento de ajuda europeu, atraindo simultaneamente o sector privado da Bélgica e de outros estados-membros.
Além disso, está prevista a organização de fóruns de negócios para motivar empresários europeus a investir no mercado nacional. Portanto, a estratégia passa por vincar que a segurança em Cabo Delgado é a base necessária para que o investimento privado floresça, gerando empregos e reduzindo a pobreza na região Norte e em todo o território nacional.
Diálogo com a Diáspora e Sector Privado
Em suma, o segundo dia da visita presidencial será dedicado a ouvir os empresários moçambicanos residentes na Bélgica. A intenção é mobilizar todas as frentes para que o apoio da União Europeia em Cabo Delgado não seja apenas militar, mas também uma parceria de desenvolvimento a longo prazo. O sucesso destas negociações ditará o ritmo da pacificação e da reconstrução económica de Moçambique nos próximos anos.
O Radar News (RN) continuará a acompanhar os resultados desta cimeira em Bruxelas. Fique atento às actualizações sobre os acordos de segurança que poderão ser assinados nas próximas horas entre Maputo e o bloco europeu.

