Cerca de 20 mil cidadãos moçambicanos integram um universo de 90 mil estrangeiros que abandonaram a África do Sul desde o final do mês de junho, na sequência de crescentes ameaças e episódios de violência direcionados a imigrantes. As partidas ocorreram maioritariamente por via terrestre, refletindo a volatilidade da segurança na região.
Fronteiras Terrestres sob Pressão
De acordo com dados detalhados por Michael Masiapato, comissário e diretor-executivo da Autoridade de Gestão de Fronteiras da África do Sul (BMA), a comunidade zimbabuana representou o maior grupo de partidas por via terrestre, seguida pelos cidadãos do Malawi, Moçambique e Lesoto. Os moçambicanos contabilizaram aproximadamente 20 mil partidas no período em análise.
Paralelamente, os fluxos migratórios por via aérea através do Aeroporto Internacional OR Tambo envolveram predominantemente nacionais da Nigéria e do Gana. Apesar de episódios pontuais de violência persistirem em algumas regiões sul-africanas, o comando operacional da BMA registou, nos últimos dias, uma tendência de inversão com o aumento de entradas de migrantes naquele país.
Fiscalização e Uso de Tecnologia em Lebombo
A imigração irregular permanece apontada como o principal desafio enfrentado no controlo fronteiriço. Em resposta a esta problemática, as autoridades intensificaram a fiscalização ao longo das linhas de fronteira e nos postos de travessia, focando na deteção de travessias ilegais e no combate a tentativas de suborno de agentes públicos.
Entre as ferramentas tecnológicas acionadas destaca-se a utilização de drones na zona de Lebombo, junto à fronteira com Moçambique. O recurso a este equipamento tem contribuído para uma redução significativa nas tentativas de entrada irregular no território sul-africano. Michael Masiapato sublinhou ainda a cooperação contínua com as autoridades moçambicanas, envolvendo as Forças Armadas de Defesa de Moçambique, a Polícia da República de Moçambique e os serviços alfandegários.
Balanço de Vítimas e Ações do Governo Moçambicano
O impacto da crise já havia sido assinalado num balanço apresentado a 12 de agosto por Maria Lucas, Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique. Na ocasião, a governante confirmara o regresso forçado de 2 071 cidadãos moçambicanos motivado por atos de violência xenófoba no país vizinho, revelando ainda que pelo menos 11 moçambicanos perderam a vida em resultado direto desses conflitos.