A experiência angolana na mobilização de investimento privado para o desenvolvimento de plataformas logísticas e o aproveitamento da produção agrícola ao longo do Corredor do Lobito foi apresentada como um modelo de referência para Moçambique. O detalhamento do processo ocorreu durante a edição inaugural do Fórum e Exposição de Investimento em Transportes e Logística de Moçambique (TRANS-LOG MOZ 2026), evento de dois dias encerrado na última quinta-feira (5), em Maputo.
Parcerias público-privadas como motor de desenvolvimento
Durante a sua intervenção no evento, o Secretário de Estado para os Transportes Terrestres de Angola, Jorge Bengue Calumbo, explicou que o Governo angolano iniciou, em 2022, uma transformação profunda no Corredor do Lobito com vista a convertê-lo numa plataforma de desenvolvimento económico. Para sustentar esse avanço, foram introduzidas alterações legislativas, incentivos e medidas de facilitação destinadas a reforçar a confiança dos investidores privados.
De acordo com o governante, a urgência em otimizar os serviços de transporte decorreu do elevado nível de desperdício na produção agrícola daquela região. Estima-se que entre 30% e 35% de tudo o que é produzido ao longo do Corredor do Lobito se deteriorava devido à ausência de uma rede logística eficaz e de escoamento adequado.
Infra-estrutura e atração de investimento internacional
Para ultrapassar o gargalo do desperdício alimentício, Angola estruturou uma rede de plataformas logísticas desenhada para aproximar os produtores agrícolas dos mercados consumidores, viabilizar o armazenamento e incentivar o processamento local. Como caso de sucesso, Jorge Bengue Calumbo citou a parceria firmada com um investidor dos Países Baixos na zona produtora de abacate, entre as províncias do Huambo e Bié, destinada à construção de uma infra-estrutura de recolha, processamento e exportação.
No setor ferroviário, a entrada em cena de um operador privado, consumada em 2024, permitiu acelerar a modernização da linha. Atualmente, o Corredor do Lobito conta com cerca de 753 milhões de dólares norte-americanos em investimento privado em curso, aplicados na melhoria de infra-estruturas, transição digital, telecomunicações, sinalização e capacitação da força de trabalho local.
Diversificação económica e integração regional
O plano estratégico do Corredor do Lobito é suportado pelo programa Diversifica Mais, que reúne parceiros internacionais como a União Europeia, os Estados Unidos da América e o Banco Mundial. O objetivo central é capacitar produtores e facilitar o acesso a equipamentos, inserindo-se nos esforços angolanos para reduzir a dependência do petróleo.
A apresentação angolana integrou o painel ministerial intitulado “Corredor da Região Norte: Nacala”, moderado por Fernando Sebastião Ouana, Director Nacional de Logística e Desenvolvimento do Sector Privado nos Transportes. O debate contou também com a participação de Agostinho Langa, Presidente do Conselho de Administração da empresa pública Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), focando-se no financiamento de projetos infraestruturais com perspetiva até 2027.
O fórum TRANS-LOG MOZ 2026 reuniu em Maputo governantes de diversos países da África Austral, investidores, entidades financeiras e operadores económicos para debater a redução de custos de transporte, a modernização de corredores logísticos e a integração comercial na região.