O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu que a economia moçambicana deve crescer a um ritmo superior ao aumento demográfico do país, sublinhando que a expansão económica sustentada é a única via para gerar riqueza, elevar os rendimentos familiares e melhorar substancialmente a qualidade de vida dos cidadãos.
Desafio Demográfico e Dividendo Económico
Na sua intervenção durante a abertura da Conferência sobre População e Desenvolvimento em Moçambique, realizada na quarta-feira, 4 de Junho, em Maputo, o Chefe de Estado destacou que a taxa de crescimento demográfico, atualmente fixada em cerca de 2,5% ao ano, representa uma oportunidade real de desenvolvimento, desde que seja acompanhada pelo aumento da produtividade e pela capacidade de criação de empregos.
O evento decorreu sob o tema “População, Transformação Económica e Bem-Estar: Políticas para Aproveitar o Dividendo Demográfico em Moçambique”, sendo coorganizado pelo Ministério do Planeamento e Desenvolvimento (MPD) e pelo Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), com o propósito de alinhar prioridades estratégicas para transformar a dinâmica populacional num motor de progresso social e económico.
Pressão no Mercado de Trabalho e Investimentos Estruturais
Lembrando o percurso demográfico de Moçambique — cuja população evoluiu de cerca de 10 milhões de habitantes em 1975 para aproximadamente 35 milhões em 2026, podendo alcançar os 60 milhões até 2050 —, Daniel Chapo enfatizou a responsabilidade histórica de preparar o país para esse cenário. O Presidente ressaltou que a pressão sobre o mercado de trabalho é premente, com mais de 500 mil jovens a tentarem ingressar anualmente no setor laboral.
Como resposta a este desafio, o estadista reforçou a relevância de mecanismos de financiamento ao empreendedorismo, apontando o impacto do Fundo de Desenvolvimento Local, que em 2025 financiou mais de 18.000 projetos e impulsionou a criação de mais de 43.000 postos de trabalho no território nacional. O plano governamental prevê o alargamento destas oportunidades, priorizando jovens e mulheres, aliado a reformas estruturais para a melhoria do ambiente de negócios e à dinamização de setores estratégicos como a agricultura, o turismo, a economia azul, a energia, a logística, os transportes e a indústria.