A empresa sul-africana de logística Grindrod prevê arrancar, em 2027, com o transporte ferroviário de carvão a partir da África do Sul com destino a Moçambique, tirando partido da infra-estrutura da estatal Transnet. O empreendimento insere-se no âmbito das reformas profundas no sector ferroviário sul-africano, concebidas para expandir a capacidade de escoamento de mercadorias e permitir o acesso de operadores privados à rede nacional.
Abertura de Mercado e Viagem Experimental
A iniciativa integra o processo de abertura da infra-estrutura ferroviária da Transnet a empresas privadas, numa fase em que a operadora estatal enfrenta limitações para dar resposta à crescente procura. A medida pretende melhorar a eficiência operacional do sistema e elevar substancialmente os volumes de carga movimentados por via-férrea.
Na terça-feira, 3 de Novembro, a Grindrod confirmou a conclusão bem-sucedida de uma viagem ferroviária experimental, realizada entre os dias 1 e 2 de Novembro. O ensaio, que cobriu os trajectos de ida e volta, permitiu transportar 2991 toneladas de carga com recurso a locomotivas e vagões próprios da empresa.
Marcos de Operação e Metas Globais
No seu primeiro ano de operações comerciais no Corredor Nordeste da Transnet, a Grindrod estima movimentar cerca de 288 mil toneladas de carvão extraído da província sul-africana de Mpumalanga com destino ao seu terminal localizado na Matola, em território moçambicano.
A operação converteu a empresa na primeira entidade privada a circular na malha ferroviária nacional de mercadorias da África do Sul sob o enquadramento do novo regime de acesso aberto. Com esta abertura ao sector privado, o Governo sul-africano perspetiva adicionar 20 milhões de toneladas anuais ao transporte ferroviário de mercadorias, visando atingir a meta global de 250 milhões de toneladas por ano até 2029.