A capital moçambicana assistiu, esta segunda-feira (2), ao lançamento oficial da Fundação de Apoio à Investigação e Inovação em Saúde (FINS), uma plataforma criada para captar recursos, impulsionar parcerias estratégicas e alinhar a produção de conhecimento científico às prioridades do sistema sanitário do país.
Instituída sob a alçada do Instituto Nacional de Saúde (INS), a FINS configura-se como uma pessoa coletiva de direito privado, sem fins lucrativos. A sua génese visa responder aos desafios críticos da saúde pública através da promoção e aplicação de estudos focados nas reais necessidades da população moçambicana.
Eixos de Atuação e Valorização Científica
Durante a cerimónia de apresentação da entidade, a diretora executiva da FINS, Nilza Mbanze, explicou que o organismo funcionará como uma estrutura unificadora para mobilizar diversos sectores sociais em torno da ciência. A estratégia de intervenção assenta em quatro pilares vitais: angariação de recursos financeiros, incentivo à cooperação intersectorial, valorização do capital humano e dos investigadores, e integração de evidências científicas na conceção de políticas públicas.
Nilza Mbanze ressaltou que uma das grandes metas é garantir que os achados científicos ultrapassem os muros académicos e se traduzam em soluções práticas, capazes de melhorar a prestação de cuidados de saúde. A criação da fundação surge num contexto desafiador, caracterizado por limitações na literacia sobre inovação, redução de verbas destinadas à saúde e articulação ainda tímida entre entidades sanitárias e a sociedade civil.
Metas Operacionais e Visão para 2030
Nos primeiros dois anos de atividade, a FINS vai focar-se em cinco eixos estratégicos priorizados: consolidação institucional, fomento da investigação e inovação, valorização dos cientistas, tradução do conhecimento em ações concretas e captação sustentável de recursos e parcerias.
Presente no ato, o ministro da Saúde, Ussene Hilário Isse, afirmou que a iniciativa reflete a determinação do Executivo em modernizar o Sistema Nacional de Saúde até 2030. O governante destacou que o país enfrenta pressões crescentes associadas ao crescimento demográfico, à transição epidemiológica, aos impactos das mudanças climáticas, eventos traumáticos e ao aumento de patologias ligadas à saúde mental.
Ussene Hilário Isse sublinhou a importância de capacitar a população em literacia científica, permitindo que os cidadãos saibam avaliar a veracidade das informações num cenário de rápida evolução tecnológica e de inteligência artificial. O ministro lembrou ainda que Moçambique dispõe de quadros científicos com prestígio internacional, sendo urgente criar bases sólidas para potenciar essa capacidade técnica em benefício da saúde comunitária.