Governo de Moçambique avança com a venda de 66% da Tmcel devido a dívidas acumuladas
O Governo moçambicano avançou com o processo de privatização da Tmcel, prevendo a alienação de 66% das acções da operadora móvel pública. A decisão surge no contexto de uma severa crise financeira sustentada pela acumulação de passivos milionários e incumprimentos de pagamento por parte de várias instituições e entidades do sector público.
Segundo relatórios de auditoria financeira divulgados pela imprensa local, a empresa apresenta capitais próprios negativos na ordem de vários milhares de milhões de meticais. O défice acumulado é atribuído ao longo histórico de gestão ineficaz e ao não pagamento prolongado de serviços prestados a organismos estatais, o que comprometeu de forma grave a continuidade das operações da telecom.
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A situação económica da Tmcel é comparada por analistas ao caso do Banco Austral, ocorrido na viragem do milénio. A fusão realizada anteriormente entre a antiga Tmcel e a TDM não conseguiu resolver as fragilidades estruturais, resultando no aumento da massa salarial num período em que as receitas comerciais da empresa mantêm uma tendência contínua de redução.
Actualmente, um comité interministerial conduz as negociações para atrair um parceiro estratégico para as empresas públicas. No entanto, o clima entre os trabalhadores é de incerteza quanto ao futuro profissional, marcado por salários em atraso e pela inviabilidade de acordos de rescisão voluntária por falta de fundos para indemnizações.
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