Venda de activos da Tmcel levanta suspeitas de conflito de interesses
A operadora estatal de telecomunicações Tmcel encontra-se no centro de uma intensa polémica na sequência da alienação de diversos bens patrimoniais, incluindo escritórios, casas de hóspedes, creches e terrenos de elevado valor, sem a realização de concurso público.
Entre os imóveis abrangidos destaca-se a emblemática “Casa de Vidro”, localizada na Rua da Rádio, na cidade de Maputo, além de infra-estruturas integradas no complexo da Sala de Conferências da antiga TDM. Para viabilizar e acelerar a comercialização destes bens, foi criada a Sociedade de Gestão Imobiliária (SOGIMO).
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O director-executivo do Centro para a Democracia e Desenvolvimento (CDD), Adriano Nuvunga, denunciou um alegado conflito de interesses envolvendo o actual presidente da Comissão de Gestão da empresa, Mahomed Adamo Mussá, devido à sua qualidade de sócio da empresa ABARICOM, que presta serviços à própria operadora móvel.
De acordo com o CDD, a venda de activos traduz um esforço para alienar o património mais valioso da empresa antes da eventual entrada de um novo investidor privado, levantando dúvidas sobre a salvaguarda dos interesses públicos perante a situação de pré-falência da companhia.
Quadros do Ministério das Finanças e analistas do sector alertam que a alienação de património estratégico compromete gravemente a capacidade de capitalização e a viabilidade da operadora estatal. O relatório do auditor independente Ernest & Young (EY) reforça que o cenário financeiro da Tmcel apresenta incertezas materiais quanto à continuidade das suas operações, num contexto de elevado passivo e acumulados resultados negativos.
Tentativas promovidas pela imprensa local para obter o posicionamento oficial da direcção da Tmcel sobre as adjudicações directas e os modelos de gestão aplicados não obtiveram resposta.
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