O Governo de Moçambique esclareceu, na província de Maputo, que a suspensão das operações da Mozal, prevista para este domingo, 15 de Março, não representa o fecho definitivo da empresa. Segundo o porta-voz do Executivo, Inocêncio Impissa, a unidade industrial entrará num período de manutenção básica, estimando-se que a retoma das actividades ocorra dentro de um ano.
O Impacto Económico da Paragem na Província de Maputo
A Mozal é o pulmão industrial da região sul, representando cerca de 40% da produção da província de Maputo. No entanto, a suspensão das operações da Mozal terá impactos profundos na economia local e nacional. Por um lado, a empresa é responsável por uma fatia considerável das exportações do País. Por outro lado, a paragem afecta directamente 1.100 empregos directos e cerca de 5.000 postos de trabalho indirectos.
Consequentemente, o Governo acompanha com preocupação a ligação da fundição com as dezenas de fornecedores que compõem a sua cadeia de valor. Para muitos especialistas, a interrupção da produção é um golpe duro na estratégia de industrialização nacional, dada a importância da empresa na balança comercial moçambicana.
A Crise Energética e o Impasse com a HCB
A razão principal para a suspensão das operações da Mozal reside na incapacidade de garantir energia eléctrica a preços competitivos. Atualmente, a fundição necessita de cerca de 950 megawatts para operar plenamente. Contudo, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) e os fornecedores sul-africanos não conseguem assegurar este fornecimento nas condições exigidas pela empresa.
Além disso, o impasse nas negociações de um novo contrato tarifário impediu a continuidade das operações normais. “Caso fosse possível assegurar essa capacidade energética, as negociações poderiam ter prosseguido”, explicou Impissa. Portanto, o futuro da fábrica depende agora de uma solução estrutural para o fornecimento de energia na região da África Austral.
Perspectivas de Retoma e Manutenção
Em suma, o período de 12 meses será utilizado para realizar trabalhos de manutenção essenciais na infra-estrutura. O Governo mantém-se optimista quanto à possibilidade de a Mozal voltar a operar normalmente após este intervalo. Entretanto, o desafio imediato será mitigar os efeitos sociais e económicos nas famílias que dependem da fundição na província de Maputo.
O Radar News (RN) continuará a acompanhar as negociações entre o Governo, a Mozal e os fornecedores de energia. É fundamental que se encontre um equilíbrio que permita a viabilidade desta unidade industrial estratégica para o desenvolvimento de Moçambique.

