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Ofensiva militar em Cabo Delgado provoca dispersão de grupos armados e agrava crise

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A situação de segurança na província de Cabo Delgado registou uma mudança significativa nas últimas semanas. A ofensiva recente das tropas moçambicanas e ruandesas alterou a dinâmica no terreno. No entanto, os grupos armados responderam com maior dispersão geográfica e ataques em novas frentes.

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A operação militar concentrou-se nas florestas de Catupa, no distrito de Macomia. Esse local é considerado o principal reduto operacional dos insurgentes. Consequentemente, a pressão das forças governamentais forçou os atacantes a dividirem-se.

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Informações apuradas indicam que os elementos armados moveram-se para vários pontos da província. As movimentações atingiram distritos como Ancuabe, Meluco, Montepuez, Muidumbe e Quissanga. Além disso, essa estratégia procura obrigar as forças de segurança a dividirem os seus recursos militares.

Controlo de estradas e garimpo ilegal

Além da expansão territorial, os insurgentes alteraram as suas tácticas operacionais. Atualmente, os grupos realizam emboscadas nos principais corredores rodoviários da região. As acções incidem sobretudo na estrada EN380 e na via R98, ligando Montepuez a Mueda.

Nesses troços, os atacantes interrompem a circulação de viaturas de transporte. Do mesmo modo, realizam raptos de passageiros para exigir o pagamento de resgates. Esta prática converteu-se numa importante fonte de receitas para a insurgência.

Por outro lado, os grupos intensificaram a presença nas zonas mineiras de Meluco e Montepuez. Os insurgentes procuram controlar o garimpo ilegal de ouro e pedras preciosas. Portanto, a organização mantém a sua capacidade financeira e logística ativa.

Relações internacionais e tropas estrangeiras

Recently, Moscovo voltou a manifestar interesse em apoiar o combate ao terrorismo no país. Contudo, analistas locais encaram essa possibilidade com bastante cepticismo. A tentativa anterior com o Grupo Wagner em 2019 não produziu resultados positivos.

Adicionalmente, a forte presença de investimentos multinacionais no sector do gás natural condiciona alianças militares externas. Empresas como a TotalEnergies e a ExxonMobil não favorecem uma intervenção militar russa na zona.

Entretanto, o Presidente Daniel Chapo pretende reforçar a autonomia militar moçambicana. O Chefe de Estado defende a redução progressiva da dependência em relação às tropas de Ruanda. O objectivo central passa por garantir a segurança através de meios nacionais.

Impacto sobre a população civil

Em paralelo com as operações militares, a crise humanitária continua a agravar-se na região norte. A redução do apoio alimentar por agências internacionais empurra milhares de deslocados de volta às comunidades de origem.

Esse regresso precipitado expõe as famílias a novos riscos de segurança. Além disso, a falta de sustento aumenta a vulnerabilidade dos jovens ao recrutamento por grupos extremistas.

Atualmente, muitas populações abandonam as aldeias apenas durante os ataques e regressam poucos dias depois. A ausência de condições nos centros de acolhimento motiva este comportamento. Por fim, as autoridades mantêm o foco na protecção dos grandes projectos económicos da província.

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