Segunda-feira, 03 de Agosto de 2026 | Maputo, Moçambique
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Leilão de rubis de Montepuez rende 23,1 milhões de dólares em meio a desafios operacionais

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A empresa responsável pela exploração de rubis em Cabo Delgado arrecadou 23,1 milhões de dólares americanos num leilão internacional realizado no final de Junho de 2026. O evento marcou a estreia do formato “Trade Select”, que apresenta uma gama variada de qualidades de gemas e categorias de safiras.

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Durante a venda, a firma disponibilizou 82 lotes dos 89 propostos, alcançando uma taxa de sucesso de 92,1%. No total, os compradores adquiriram 348.409 quilates de um total de 374.008 quilates oferecidos. O preço médio fixou-se em 66,30 dólares por quilate.

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Os fundos arrecadados serão totalmente repatriados para o país. A Montepuez Ruby Mining (MRM), detida em 75% pela multinacional e 25% pela Mwiriti Limitada, pagará todos os impostos e direitos devidos ao Estado moçambicano sobre o valor integral obtido.

Queda na produção e problemas na fábrica

Documentos operacionais indicam uma diminuição significativa na qualidade média das pedras recuperadas na concessão. No ano de 2025, a proporção de pedras de alto valor situou-se em 0,06 quilates por tonelada. Contudo, nos primeiros cinco meses de 2026, esse valor caiu para 0,03 quilates por tonelada.

A área de Mugloto, responsável pela maior parte das receitas da empresa, viu o rendimento cair de 0,03 para 0,02 quilates por tonelada. Além disso, as fortes chuvas do primeiro trimestre e falhas técnicas na segunda fábrica de processamento condicionaram o trabalho nas zonas mais férteis.

A nova unidade de processamento opera desde Setembro de 2025, mas a entrega final sofreu adiamentos para o terceiro trimestre de 2026. A instalação sofreu desgaste acelerado em componentes vitais. Por essa razão, a gerência aguarda a chegada de um novo equipamento de lavagem em Agosto.

Instabilidade de segurança e garimpo ilegal

A situação de segurança na região provocou igualmente perturbações na actividade extractiva. Entre Abril e Maio de 2026, ocorreram ataques de grupos armados em aldeias situadas entre 15 e 35 quilómetros da mina. Mais tarde, as autoridades detiveram indivíduos acusados de simular acções terroristas para saquear comunidades locais.

Simultaneamente, a concessionária enfrenta cerca de 700 invasões diárias de garimpeiros ilegais nas suas áreas de exploração. Estas incursões constantes geram sérios riscos de segurança para os trabalhadores e degradam as reservas minerais.

Retenção nos reembolsos do IVA

No âmbito financeiro, o Governo deve à mineradora cerca de 28,3 milhões de dólares relativos ao reembolso do imposto sobre o valor acrescentado. A empresa não recebe qualquer devolução destas verbas desde Outubro de 2024.

Entretanto, o novo regime tributário para o sector extractivo entrou em vigor no início do ano. O primeiro reembolso previsto sob as novas regras deverá ocorrer em Agosto de 2026, no valor de 370 mil dólares americanos. A empresa mantém contactos com o Governo para acelerar o processo das dívidas antigas.

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