A decisão da junta militar da Guiné-Bissau de impedir o regresso do presidente deposto, Umaro Sissoco Embaló, está a gerar reacções divididas na capital, Bissau. A medida surge após Embaló ter anunciado a intenção de retornar ao país para disputar as eleições presidenciais agendadas para Dezembro.
As chefias militares justificaram o bloqueio alegando razões de segurança e a necessidade de preservar a ordem pública. Embaló encontra-se exilado em Marrocos desde a tomada do poder pelos militares em Novembro do ano passado, na sequência de um pleito eleitoral bastante contestado.
Nas ruas de Bissau, os cidadãos dividem-se quanto ao impacto do impedimento. Parte da população defende que, na qualidade de cidadão, Embaló tem o direito de regressar e submeter-se à escolha do eleitorado. Por outro lado, há quem compreenda as alegações de segurança formuladas pelas autoridades, embora reconheça a importância de assegurar garantias para a participação política no processo eleitoral.
A situação política no país permanece sob vigilância, mantendo-se em vigor as restrições impostas a reuniões e manifestações públicas com fins políticos. Adicionalmente, a aprovação recente de uma nova lei fundamental introduziu requisitos de residência contínua para os candidatos presidenciais, o que lança incerteza sobre o enquadramento de eventuais candidaturas de figuras no exílio.
A evolução da crise política na Guiné-Bissau continua a ser acompanhada atentamente por observadores regionais e internacionais, num contexto de preparação para o próximo acto eleitoral.










