A antiga Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, optou pelo silêncio ao ser recentemente questionada sobre a controversa estátua de Eduardo Mondlane, instalada na avenida com o mesmo nome, na capital moçambicana. O monumento, que custou aos cofres públicos cerca de 22 milhões de meticais, continua a ser alvo de acesos debates na sociedade civil.
A obra foi inaugurada em Setembro de 2024, altura em que Materula ainda chefiava a pasta da Cultura. Desde a sua revelação, o monumento enfrentou duras críticas, não apenas pelo elevado investimento financeiro, mas principalmente pela alegada falta de fidelidade estética à figura histórica do arquitecto da Unidade Nacional.
Comissão de Inquérito sem resultados públicos
Face à onda de contestação na época, o Governo chegou a anunciar a criação de uma comissão de inquérito para apurar responsabilidades e avaliar possíveis correcções técnicas na escultura. No entanto, passados vários meses, as conclusões desse inquérito permanecem desconhecidas do público, alimentando dúvidas sobre a gestão do projecto.
De acordo com informações da MBC TV, Eldevina Materula escusou-se a prestar declarações substantivas sobre o caso. A ex-governante terá remetido quaisquer esclarecimentos para a actual tutela governamental, distanciando-se de uma responsabilidade directa pelos contornos da execução e validação da obra sob o seu mandato.
O ónus da resposta
A postura da antiga ministra transfere agora a pressão por transparência para a actual Ministra da Educação e Cultura. A opinião pública e diversos sectores culturais continuam a exigir uma resposta clara sobre os critérios de selecção do artista, o processo de fiscalização e o destino final do monumento que muitos consideram uma descaracterização de um dos maiores símbolos da história de Moçambique.
O Radar News continuará a acompanhar este dossiê, procurando obter reacções da actual tutela sobre o relatório da comissão de inquérito.
Fonte: rn.co.mz / Radar News

