Desnutrição aguda provocou a morte de 13 crianças no primeiro semestre em Nampula
A desnutrição aguda provocou a morte de 13 crianças na província de Nampula durante os primeiros seis meses do ano. O total de óbitos resulta de um universo de mais de 16 mil crianças que receberam o diagnóstico da patologia no mesmo período.
Apesar de o registo demonstrar uma redução em comparação com o primeiro semestre do ano transacto, período no qual se contabilizaram 30 mortes, a situação continua a alarmar os serviços de saúde. Dados locais indicam que, em cada 100 crianças na província, 47 enfrentam quadros de desnutrição crónica.
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De acordo com Raúl Atibo, representante do Serviço de Pediatria II do Hospital Central de Nampula, os internamentos e a procura por cuidados médicos sobem exponencialmente entre Outubro e Março, período que antecede as colheitas agrícolas e no qual a disponibilidade alimentar diminui.
Factores como a fraca prática do aleitamento materno e a adopção de uma dieta pouco diversificada e deficiente em nutrientes essenciais são apontados como as principais causas do problema. Na maioria dos agregados familiares da região, a alimentação baseia-se na mandioca seca, transformada em farinha para a confecção da xima (conhecida localmente por caracata), um alimento rico em hidratos de carbono, mas carente de proteínas e minerais.
A nutricionista e docente Cecília Boaventura reforça a necessidade de reestruturação dos hábitos alimentares comunitários, alertando que a ingestão de mandioca ou milho deve ser obrigatoriamente acompanhada por fontes de proteína, como feijão, peixe ou carne, além de vegetais e frutas, fundamentais para reforçar o sistema imunitário e prevenir enfermidades.
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