Moçambique regista mais de 600 mil deslocados internos devido ao terrorismo e mudanças climáticas
Mais de 663 mil pessoas encontram-se na condição de deslocados internos em Moçambique, impulsionadas pelos impactos das mudanças climáticas e pela violência armada na província de Cabo Delgado. Actualmente, 84 dos 154 distritos do país albergam pelo menos um centro de acomodação para as famílias afectadas.
Os dados foram divulgados durante a abertura de um fórum organizado em parceria com a ONU-Habitat, dedicado a debater o acesso a uma habitação condigna. Na ocasião, Leovigildo Marcos, representante do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), sublinhou a necessidade de transformar os documentos estratégicos em acções práticas e apelou ao reforço do financiamento dos programas de apoio.
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Confrontado com os relatos sobre as dificuldades de acesso à terra para a construção de habitações definitivas, o responsável do INGD rejeitou a existência do problema, afirmando que o Governo trabalha em coordenação com os órgãos descentralizados e que o enquadramento legal da terra garante o acesso a todos os cidadãos.
Por sua vez, a Coordenadora Residente das Nações Unidas em Moçambique, Catherine Sozi, defendeu a adopção de soluções duradouras que respeitem a vontade das populações, garantindo dignidade quer na opção de regresso às zonas de origem, quer na integração nas comunidades de acolhimento.
Entre os principais constrangimentos identificados para a permanência prolongada das vítimas nos centros de acomodação, por períodos superiores a um ano, destaca-se a lentidão nos processos de parcelamento e atribuição de talhões.
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